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5 de maio de 2018

Eventos Escatológicos à Vista

Ézio Pereira da Silva


A Bíblia é a única autoridade que fornece corretamente a ordem cronológica dos eventos ou acontecimentos finais na história da humanidade, no tempo e no espaço.

Uma análise bíblica com razoável profundidade, e que considere a associação de elementos comparativos dos textos sobre o tema, revela a sequência mais aproximada do que deve ser esperado daqui para a frente.

Em face das dificuldades encontradas para ordenar os fatos e absorver esse entendimento, o máximo que se pode conseguir com cautela e de maneira criteriosa, é apenas um vislumbre da ordem exata dos acontecimentos. Ou seja, de como e quando os fatos, realmente, se sucederão.
Um fator agravante para o entendimento são aqueles acontecimentos, que se desencadearão de forma simultânea, tais como o juízo de Deus sobre a Besta e o falso profeta e a transformação física do planeta Terra.

Resguardadas possíveis surpresas, a ordem sequencial dos eventos finais que devem ser esperados de agora em diante que mais se aproxima da realidade é a seguinte:

1) a Apostasia (revolta contra Deus);
2) a manifestação e domínio do Anticristo;
3) a Grande Tribulação com todos os seus desdobramentos:
- escurecimento do sol e da lua;
- a marca da Besta;
- perseguição e morte de cristãos;
- queda de estrelas;
- outros;
4) a vinda (descida visível) de Jesus dos céus com a Nova Jerusalém;
5) a primeira ressurreição (dos cristãos salvos que morreram);
6) a transformação física dos cristãos salvos vivos;
7) o arrebatamento dos cristãos salvos vivos até às nuvens;
8) o juízo intermediário de Deus sobre as nações, os adoradores da Besta, e o seu reino;
9) a prisão de Satanás por mil anos;
10) lançamento do Anticristo (a Besta) e do Falso Profeta vivos no Lago de Fogo;
11) a transformação física do planeta Terra;
12) o início do Milênio;
13) o estabelecimento da Nova Jerusalém na Terra;
14) a inauguração do reinado de Cristo na terra;
15) o final do Milênio;
16) a soltura de Satanás da prisão;
17) a revolta final dos inimigos de Deus liderados por Satanás;
18) o lançamento de Satanás e seus exércitos no Lago de Fogo;
19) a segunda ressurreição (dos pecadores impenitentes);
20) o Juízo Final (julgamento individual e sentença condenatória dos ímpios);
21) o lançamento dos pecadores que receberam a marca da Besta no Lago de Fogo (a segunda morte);
22) o início da eternidade futura (o estado eterno de plena felicidade com novos céus e nova terra).

9 de outubro de 2017

A Vitória do Cordeiro de Deus

Ézio Pereira da Silva

... continuação do artigo "O Plano Eterno de Deus". Caso não tenha lido, acesse este link.

4) Jesus Cristo - O Soberano Absoluto. O Supremo representante da raça humana.
"E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés... Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos". - 1Co 15.24-28.

A responsabilidade pela criação e estabelecimento do ser humano no mundo na condição de pecador é de Deus. Contudo, Ele não é injusto.  Possuindo um caráter total e plenamente justo, Deus não abdica de suas atribuições, respondendo, ele mesmo, pelas suas ações.


Por isso, também, Ele enviou Jesus para assumir e levar sobre si essa responsabilidade. A pesadíssima carga foi colocada sobre os ombros de Jesus. Deus não fica devendo nada a ninguém! Na verdade, ele assumiu tudo o que planejou! "Fez a ferida e a curará" - Os 6.1; Is 30.26; 52.13-53.12.

Em um esforço supremo, tente imaginar a extraordinária e magnífica importância do Plano Eterno de Deus. Era e é tão enorme, que foi necessária a encarnação de Deus, Jesus Cristo, sujeitando-se a grande e intenso sofrimento e morte cruel. 

Com efeito, para a extinção da essência do mal no universo, a intervenção pessoal de Deus na raça humana se fazia imprescindível.

Nunca houve nem haverá em toda a história da humanidade e do universo algo semelhante, que se compare ao Plano Eterno de Deus. Ele é eterno e se estende de eternidade a eternidade. Ultrapassa os limites de todas as ciências e do conhecimento humano.

Da parte de Jesus, não foi apenas um sofrimento atroz, cruel, inimaginável! Nem, tampouco, apenas algo insuportável para o ser humano. Muito mais que isso! O que elevou ao infinito a aflição de Jesus como algo nunca imaginado por qualquer criatura humana, foi o fato de ser Ele o amoroso Criador daqueles que o supliciaram.

Essa condição, por si só, agravou infinitamente a dor profunda e a humilhação dele em seu martírio. Que sofrimento doloroso ele suportou ao ser totalmente desprezado, afrontado, abusado, torturado e morto pelo ser que havia criado com total, profundo e completo amor!

Nunca houve até então, nem nunca haverá fato semelhante a esse! Acontecimento singular, sem paralelo nem repetição em toda a história universal.

Como foi o processo?

Ao chegar a plenitude dos tempos, ou seja, o tempo certo, ideal, preparado, exato, marcado e determinado, Deus, então, dando prosseguimento à sua teodiceia, dentro de seu Plano Eterno, envia à insignificante aldeia de Nazaré da Galiléia, em Israel, um mensageiro angelical.

O anjo Gabriel visita a humilde cidade para noticiar a uma virgem mocinha, chamada Maria, pertencente à tribo de Judá, que Deus vai realizar uma incursão pessoal na terra. Mais propriamente, uma interferência na raça humana, fazendo brotar da raiz de Jessé um renovo.

Seria levado em consideração, no entanto, a existência de uma condição legal de entrada na terra: O planeta destina-se apenas ao ser humano e o meio para entrar nele é através do nascimento físico (Sl 115.16)*. Deus, então, providencia a concepção humana de Jesus, através do Espírito Santo colocando no útero de Maria a semente de vida.

A terra é, legalmente, de propriedade do ser humano, doada pelo próprio Deus. Ainda que, talvez, possa ser apenas como depositário mas, a posse legal é dele. E essa posse ele a entregou a Satanás, juntamente com o domínio de sua vida.

Como Adão foi o responsável pela queda do homem, isto é, quem entregou a Satanás legalmente, de sua livre e espontânea vontade, o direito de propriedade sobre a sua própria vida e, por descendência natural, a vida de toda raça humana, tornando-se ela escrava (2Pe 2.19), apenas outro ser humano poderia reaver esse domínio.

Observe que Satanás não forçou ou obrigou o homem. Ele apenas o iludiu, com base na cobiça do ser humano. Ele subjugou a si a humanidade! Usurpou através da sagacidade. Nos tempos antigos, quem conquistava um reino, não importando se à força ou não, tinha o domínio legal sobre ele.

Satã confessa isso quando disse a Jesus na tentação: "... Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser"! - Lucas 4.6. E Jesus não desmentiu o Tentador sobre essa entrega voluntária e legal que Adão lhe fez.

Satanás se enganou ao pensar que derrotaria Jesus, atacando-o com dúvidas a respeito de sua identidade eterna e de sua filiação ao Pai, utilizando sua arma mortal insufladora de desejos incontroláveis de apetites humanos de sobrevivência física. Ouviu o retumbante "...está escrito..."! - Mt 4.4.

Quando o adversário percebeu que Jesus utilizara a Palavra de Deus, quis alcançar supremacia usando, estrategicamente, a mesma fonte de autoridade aplicada pelo Mestre: a Palavra. 

Entrementes, logo percebeu que distorcer a Palavra para o seu próprio Autor (o mesmo ardil que empregou com Eva, no Jardim) não lograria êxito frente à emenda contraditória e repressora de sua "interpretação" premeditada e  maliciosamente deturpada das Escrituras - "... também está escrito..."! - Mt 4.7.

Satanás sofreu sua derrota devastadora no primeiro embate com Jesus, ao ouvir dele a ordem impositiva para se retirar, sob a sentença de que o Único que tem o direito de ser adorado é o Pai - "... Retira-te, Satanás, porque está escrito..."! - Mt 4.10.

Para efetivar o resgate, no entanto, a exigência, segundo a lei de Deus, era a expiação do pecado pelo sangue - Lv 17.11. De fato, "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). O sangue para a redenção do ser humano precisava ser Inocente, puro e incontaminado.

A fim de não trazer em si mesma a natureza pecaminosa da raça humana contaminada pela ação de Satanás, o ente humano a ser gerado não poderia ser resultado da relação conjugal de um casal.

Objetivando não se contaminar com o pecado original que, imperiosamente, foi passado a todas as pessoas nascidas na terra, Jesus deveria nascer de uma virgem.

Assim, o Deus Todo-Poderoso, consegue, então, pelas vias legais, colocar na face da terra um homem puro; um ser humano sem contaminação*. Deus, como é justo, não infringiu a lei que ele mesmo estabeleceu.

Dessa forma, Deus, pelas vias legais* do nascimento físico humano, está trazendo à existência na terra o seu próprio Filho, que se chamará Jesus.

Chegada a data de seu nascimento, Herodes, o Grande, o rei que representava o Império Romano na Judeia, procurou com todas as suas diligências aquela criança indesejada, a qual aspirava matar, motivo apresentado por ele para assassinar outras crianças inocentes.

No final da saga humana, na eternidade futura, Herodes ainda irá se encontrar e se ajoelhar perante aquela criança, cujos pais o levaram para o Egito, fugindo da astúcia e sanha criminosa desse rei. Só que em condições nada semelhantes àquele fatídico contexto histórico da região de Belém, da Judeia.

A História continua!

Conforme deixei indicado no texto anterior, Jesus é a figura central, em volta da qual todo o Plano de Deus foi idealizado e está sendo executado. Ele é a mente controladora por detrás de tudo. O legítimo e o representante por excelência da raça humana.

Na caminhada para a última semana de sua vida, e quando vai se aproximando a hora, Jesus vai viver, sozinho, os últimos e mais terríveis momentos de sua trajetória aqui na terra.

Jesus é o centro de todo o universo. Tudo está orbitando em volta dele. No palco, Jesus está atuando magistralmente! Ele vai realizar agora o maior, mais profundo, significativo e extraordinário ato jamais visto e protagonizado por qualquer espécie de ser. 

Com sua batuta, regência, maestria e em unidade perfeita com o Pai, Jesus vai comandar, pessoalmente, os momentos finais e as horas mais difíceis do Plano Eterno de Deus.

Jesus era o ponto de convergência naqueles dias e detinha o controle absoluto de todas as coisas, acontecimentos e pessoas, quer estivessem conscientes disso ou não, de modo que fosse levado a efeito na sua inteireza o Plano de Deus - Jo 19.10-11.

Escribas, fariseus, sinédrio, sacerdotes, império romano, príncipes, rei, governador, discípulos, familiares, guardas romanos, autoridades de Israel, comandantes, reino das trevas, reino celestial, os universos físicos e espirituais, enfim, tudo! Todas as atenções estão voltadas para aquele personagem em Jerusalém naquele dia. Jesus comandava todo o espetáculo!

Sem nenhuma violência, através de sua morte voluntária e vicária, ele vai destronar Satanás do seu poder e proclamar a liberdade para o ser humano reencontrar-se com Deus.

Não eram marionetes! A liberdade de cada um estava preservada, sendo exercida livremente mas, a despeito disso, tudo deveria contribuir para o cumprimento do propósito eterno e soberano de Deus.

Tangendo o relato principal, dramas profundos de Jesus em conexão direta ou indireta com os seres, personagens, fatos, acontecimentos e momentos diversos relacionados a seguir, poderiam ser narrativas extraídas isoladamente de sua vida e acrescentadas legitimamente à sua história.

Jesus e os cravos da cruz;
Jesus e a viúva pobre no gazofilácio;
Jesus e o Monte das Oliveiras;
Jesus e o cálice da amargura;
Jesus e seu suor como sangue;
Jesus e os mestres da lei e os saduceus
Jesus e o Sermão Profético;
Jesus e os tributos;
Jesus e os cambistas vendilhões no templo;
Jesus e o rei Herodes, o Grande;
Jesus e Pilatos;
Jesus e o rei Herodes, a Raposa;
Jesus e a mulher de Pilatos;
Jesus e as mulheres de Jerusalém;
Jesus e o centurião da crucificação;
Jesus e os ladrões crucificados;
Jesus e Nicodemos;
Jesus e José de Arimatéia;
Jesus e sua mãe;
Jesus e a Eira de Araúna (Monte do Templo);
Jesus e o Gólgota;
Jesus e a lavagem dos pés dos discípulos;
Jesus e a Via Dolorosa;
Jesus e Jerusalém;
Jesus e Pedro;
Jesus e a Santa Ceia;
Jesus e a queda dos soldados no Getsêmani;
Jesus e o galo cantador;
Jesus e as doze legiões (cerca de 82 mil) de anjos;
Jesus e o julgamento noturno ilegal;
Jesus e Judas;
Jesus e os guardas do sepulcro;
Jesus e Maria Madalena;
Jesus e João;
Jesus e os anjos na ressurreição;
Jesus e seus irmãos;
Jesus e o guarda esbofeteador;
Jesus e os sumos sacerdotes;
Jesus e Barrabás;
Jesus e os sacerdotes;
Jesus e Simão, o Cirineu;
Jesus e os soldados flageladores;
Jesus e o anjo consolador;
Jesus e Malco;
Jesus e o jumentinho (emprestado);
Jesus e o Templo;
Jesus e o proprietário do jumentinho;
Jesus e a meteorologia;
Jesus e o terremoto;
Jesus e os túmulos abertos;
Jesus e o jovem coberto com um lençol;
Jesus e os ressurretos;
Jesus e João Batista;
Jesus e o véu do templo;
Jesus e as falsas testemunhas de acusação;
Jesus e a figueira infrutífera;
Jesus e os anciãos dos judeus;
Jesus e as 30 moedas de prata;
Jesus e o carpinteiro da cruz;
Jesus e a coroa de espinhos;
Jesus e a lança que o traspassou;
Jesus e o homem com um cântaro de água;
Jesus e o frio do inverno;
Jesus e o dono do cenáculo;
Jesus e o Sinédrio;
Jesus e seu cansaço, desgaste e noite em claro - do Getsêmani à cruz;
Jesus e o Império Romano;
Jesus e os dois discípulos de Emaús;
Jesus e Tomé;
Jesus e o soldado que o traspassou;
Jesus e as profecias;
Jesus e os soldados que sortearam sua túnica;
Jesus e a Páscoa;
Jesus e suas vestes;
Jesus e o tecedor da coroa de espinhos
Jesus e a cruz;
Jesus e a sua sepultura (emprestada);
Jesus e o Pai;
Jesus e o Sermão Profético;
Jesus e os ramos;
Jesus e sua alimentação na prisão;
Jesus e o vinagre;
Jesus e o fel;
Jesus e o Espírito Santo;
Jesus e as pedras que clamariam;
Jesus e os barquinhos no Mar da Galiléia;
Jesus e a bacia com água e a toalha;
Jesus e as duas espadas;
Jesus e as Escrituras;
Jesus e Satanás;
Jesus e os demônios;
Jesus e o vaso de alabastro (doado);
Jesus e Lázaro;
Jesus e o sol, a lua e as estrelas.

Esses detalhes devidamente abordados numa reflexão, certamente contribuiriam para fornecer um conhecimento e entendimento mais amplos e profundos do maravilhoso ser e figura singular que é Jesus.

Atos graciosos da vida de Jesus são profusos. Na sua singularidade foi o motivo da libertação de Barrabás e da reconciliação entre Herodes e Pilatos (Lc 23.12). Tal evento revela um pouco da riqueza benevolente do amor, paz, poder, humildade, caráter e influência que irradiavam de Jesus.

Agora, a última semana da vida de Jesus na terra está chegando ao fim.

Tudo deverá contribuir plenamente para o perfeito desenrolar e desfecho do Plano de Deus, com vista à redenção da humanidade e a aniquilação da essência do mal. O que, de fato, aconteceu! Tudo, como estava previsto. Deus vela pela sua Palavra para a cumprir - Jr 1.12.

No contexto desses últimos acontecimentos, Satanás e seus anjos prosseguem arregimentando seus agentes para conseguirem de Jesus a desistência de sua missão salvadora.

A antiga serpente estava jogando suas cartadas finais. Não era seu objetivo contribuir para a morte de Jesus. O que ela desejava era infligir sofrimentos intensos em Jesus com o objetivo de fazê-lo desistir da cruz.

Satanás instiga seus asseclas a acenarem para o Nazareno com a liberdade e o alívio das dores lancinantes que ele poderia obter ao descer da cruz. Sua maior esperança, que alimentava seus esforços e ataques, era que Jesus renunciasse ao sofrimento - Mt 16.23.

Quando Satanás imaginava ter obtido êxito, garantida a vitória e que tudo parecia ter chegado ao fim para Jesus, ele se depara com o silêncio demolidor do Filho de Deus. De nada adiantou! Jesus tinha decidido se entregar como um cordeiro mudo! Deus estava agindo de forma plena dentro de seu Plano Eterno.

À essa altura, pode surgir uma pergunta: - "Por que, então, Satanás usou Herodes para perseguir Jesus e levá-lo à morte"? "O rei ordenou a execução de todas as crianças de dois anos para baixo, pensando que, dessa forma, apanharia Jesus".

De fato, a lógica maligna da realidade era a seguinte.

Eliminar Jesus ainda criança atenderia aos propósitos do inimigo porque, assim sendo, ele (Jesus) não se ofereceria a si mesmo para o sacrifício, visto que, como criança recém nascida, não era dotado de capacidade de decidir pela razão. Jesus não possuía, ainda, vontade própria nem consciência para se entregar voluntariamente. Dessa forma, seu sacrifício seria ineficaz, visto não ter valor legal. Deus é justo!

Alguém pode argumentar: - "Mas, era Jesus! Ele tinha poder para fazer isso"! A despeito da autenticidade dessa afirmação, a verdade dominante é: Não! Ele não podia! Lembre-se de que Jesus era um ser humano completo e, nessa condição, ele não podia fazer isso! Possuía limitações como qualquer humano.

Não é muito difícil imaginar um diálogo que o Pai poderia ter tido com o seu Filho Jesus, por ocasião de sua entrega total para a morte, a qual foi motivo de seu pedido por três vezes, e sua agonia no Jardim do Getsêmani: - "Pai, se possível, passe de mim este cálice"! - Mt 26.39-44.

Efetivamente, não havia um possível "plano b"! Uma segunda opção. Nenhuma alternativa! Deus não tinha como inventar qualquer coisa de forma legal e justa. Só havia esse caminho! 

É como se o Pai, respondendo, dissesse: - "Meu Filho, é impossível! A única maneira de aniquilar a essência do mal, redimir a humanidade e a natureza é entregar a sua vida! Você deverá fazer isso sozinho porque, se eu não abandoná-lo para esse ato, eu poupo a sua vida e a humanidade estará perdida para sempre".

E foi o que, realmente, ficou acordado e concluído no Getsêmani. Jesus confirmou a sua entrega ao Pai. Ele havia vindo para essa finalidade e esse momento.

Lembre-se de que, na verdade, quem está entregando Jesus à morte não é o diabo mas, o Pai e Ele (Jesus) mesmo! Ele disse: "... eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la..." - João 10.17-18.

Por isso, a luta de Satanás para fazer Jesus desistir do sofrimento e da cruz. Uma dessas ocasiões, por exemplo, foi bem clara! Pedro repreendendo Jesus para Ele não ir à cruz.

Atente para essa importante observação! Na tentação no deserto, o diabo não exigiu nenhum sacrifício de Jesus! Ao contrário; só acenou com facilidades! - Mt 4.1-10.

Guarde isso! A morte voluntária de Jesus na cruz era a derrota de Satanás. Por isso, o seu esforço para que Jesus não renunciasse a si mesmo nem se entregasse à morte.

Sem alternativas, ele se viu obrigado a prosseguir, oferecendo condições para o assassinato de Jesus, cujo crime lhe traria a derrota definitiva. Não deve ser esquecido que o Plano de Deus estava em curso (como ainda continua) e que o autor do pecado deveria provar o seu próprio veneno - Sl 7.16. Seria usado por Deus para promover a sua própria destruição, contribuindo efetivamente para a imolação do Cordeiro de Deus.

"Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste"? O Pai teve de desamparar o Filho, para que ele se entregasse completamente ao sacrifício. De outra forma, o Pai não o deixaria morrer. Mas, era necessário! Abraão entregou Isaque! Um ato profético! O Pai faria a mesma coisa!

Ao dar o brado "tudo está consumado" e expirar, Jesus conquista a vitória e toma de volta, legalmente, a chave das mãos do diabo. Isto é, Ele resgata o domínio legal e total do Criador sobre a raça humana e toda a sua criação, o qual Adão havia entregue a Satanás no Jardim do Éden - Cl 2.14-15.

Agora ele vai proclamar, de imediato, no mundo dos fisicamente mortos, a sua vitória plena e eficaz. Proclama que venceu e destruiu o diabo, que tinha o poder da morte e, consequentemente, possuía o domínio sobre a raça humana - Hb 2.14-15; Ap 1.18.

Levantai ó portas as vossas cabeças! Levantai-vos ó entradas eternas.... Sl 24.7-10.

Com essa atuação estupenda, magistral, única, colossal, singular e fenomenal, Jesus Cristo, sob os olhares de todo o multiverso animado e inanimado, conclui a parte do resgate da humanidade e de toda a criação para Deus, dentro de seu Plano Eterno.

Após essa proclamação portentosa, Satanás receberia o golpe fatal ao amanhecer do terceiro dia, quando Jesus foi poderosamente levantado do túmulo por Deus. Com a ressurreição, estava consumada e selada a sentença condenatória do diabo, que já havia sido decretada pelo Pai, o Deus Todo Poderoso, no seu Plano Eterno, bem como a anulação dos efeitos da morte, sua arma fatal, 

Tendo conquistado, literalmente, todas as coisas, Jesus agora vai reinar assim, conforme registrado em 1Co 15.24-27, até concluir a destruição final das consequências da essência do mal, provocadas pela sua disseminação através do pecado, com dois efeitos retroativos, definitivos e eternos:

Primeiro, a destituição da essência do mal e seu poder destruidor e mortal, juntamente com o seu agente, Satanás;
Segundo, o resgate da oportunidade para o ser humano se voltar para Deus.

Considerações finais.

Precisam ser consideradas três etapas na obra de Jesus, como Deus, que ele é; e como representante legítimo da raça humana, ser humano que ele é; com a condição singular de ser o único santíssimo e impecável:

Primeira - a submissão do Cordeiro: desde sua disposição em descer à terra, renunciando momentaneamente à sua glória, em rendição completa, absoluta, perfeita ao Pai e, sacrificialmente, ao ser humano, na vida, no jardim e na cruz - Jo 1.29; At 8.32; 1Co 5.7; Fp 2.5-11; 1Pe 1.19;

Segunda - a missão e vitória do Cordeiro: conquistada e conseguida como resultado de sua entrega total, suplício, morte e ressurreição - Ap 5.6-14; e,

Terceira - a ira do Cordeiro: quando descer novamente à terra pessoalmente para destruir, literalmente, o domínio de Satanás, de seus agentes e reinos humanos perversos que, atualmente, ainda exercem sobre a humanidade dominada e cativa - Ap 6.16; 14.9-11; 17.14; 19.11-21.

Qual é o resultado, objetivo, consequência última do mal? É a morte, aniquilação, eliminação de toda a criação de Deus. Por isso, Jesus está reinando até que o Pai coloque debaixo dos pés dele todos os seus inimigos - 1Co 15.24-28.

Se Satanás usou a humanidade de Adão para disseminar o mal através do pecado, Jesus se humanizou para, através de seu corpo, destruir a raiz do mal, alimentadora do pecado.

Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, primeiro destruiu o diabo que tinha o poder da morte - Hb 2.14-15.

Finalmente, com a destruição da própria morte (1Co 15.26), Jesus, o Cordeiro de Deus, dará conclusão para a eternidade infinita, do extraordinário, secreto (talvez por isso, inúmeras vezes incompreendido), ignorado, profundo e extensivo PLANO ETERNO DE DEUS.

Glória, pois, ao Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, pelos séculos dos séculos!

* Valnice Milhomens (Aliança de Sangue).


Foto: Panoramio.com

28 de julho de 2014

A Divina e Odiada Missão dos Judeus

Ézio Pereira da Silva


Em um relance de olhar com certa atenção podemos identificar, com razoável facilidade, em várias momentos de sua história desde os seus primórdios, algo que tem se tornado num estigma no povo judeu.

O Fato

Refiro-me a uma aversão que os judeus sempre sofreram das mais diversas origens, povos e lugares, sob as mais variadas alegações, pretextos e acusações.

Segundo entendo das Escrituras Sagradas, essa verdade é algo involuntário, gratuito e impensado. Entretanto, ela tem uma grande e forte razão de ser, de existir; alimentada por algo que ainda permanece fora do alcance da compreensão dos homens, tornando-se imperceptível pela humanidade.

O ódio aos judeus é tão irracional que se perguntarmos a algumas pessoas o porquê dessa oposição, elas provavelmente não saberão explicar, ou fornecer motivos razoáveis dessa predisposição contra aquele povo.

Alguns, na tentativa de explicar o fenômeno, atribuem seu ódio aos judeus pelo fato de Jesus ter sido traído e entregue aos romanos para ser crucificado por um judeu chamado Judas Iscariotes, apoiado, instigado e em cumplicidade com os judeus daqueles tempos.

Os que agem assim não percebem, ou se esquecem, que o próprio Jesus também era um judeu.

Se o motivo do ódio de muitos fosse o amor a Jesus a ponto de não desejarem a sua morte, não deveriam odiar o restante dos judeus, pois Jesus também era um deles. Se a explicação fosse consistente, a ira contra os judeus seria extensiva também a Jesus. No entanto, a verdade não parece ser essa.
Este argumento se verifica no fato de haver um consenso quase geral de que, se Jesus voltasse à terra com a mesma missão que teve quando aqui viveu, nossa sociedade moderna o mataria novamente, pois, apesar de por um lado nutrir por ele razoável simpatia, por outro, odeiam também a Jesus. O ódio a Jesus também faz parte do mesmo esquema.
 
Os que pensam em dizer que odeiam os judeus em função de seus sentimentos por Jesus, por eles o haverem crucificado é, no mínimo, contraditório, em razão de que, quando desprezam os ensinamentos e o amor do jovem Galileu, rejeitam-no e caem no mesmo erro que cometeram os judeus que eles acusam e condenam, tornando-se eles mesmos, condenáveis pelo mesmo padrão de justiça que utilizam.
 
As acusações de que os judeus são negociadores gananciosos, agiotas, racistas etc., não devem ser consideradas mais que pretextos para esse sentimento irracional, senão apenas propagandas e disseminação de ações inerentes ao caráter do ser humano, que podem se revelar em qualquer pessoa distanciada de Deus e não apenas nos judeus. O sentimento antijudeu em nível humano não vai além de absoluto preconceito racial.

A Causa

Há, porém, algo mais real e importante a considerar que, na minha avaliação é a causa maior de tudo.

Após acurada análise bíblica e das circunstâncias que envolvem o problema, nos deparamos com uma conclusão surpreendente para esse intrincado sentimento antijudeu. Cabe-me, portanto, compartilhar o que creio ser o verdadeiro motivo dessa emaranhada história milenar.
 
Nada poderia ser mais significativo e esclarecedor do gratuito ódio que os mais diversos povos, por muitos séculos nutrem pelos judeus, do que o seguinte fato: destes judeus descenderia o Salvador do mundo: Jesus Cristo. Ele próprio disse à mulher samaritana: " a salvação vem dos judeus " (João 4.22). Essa é a causa.
 
Isso ganha um significado extremamente claro e transparente quando pensamos que Israel foi escolhido com o propósito de ser um reino de sacerdotes e, como tal, receber a importante missão de ser o mediador entre Deus e as outras nações do mundo inteiro e de todas as épocas (Êx 19.6; 1 Pe 2.5,9). Na verdade, o ódio aos judeus é a extensão da velada indignação da humanidade contra Jesus (Salmo 2.1-12; 69.4; Mt 24.9; Jo 15.25).
 
O livro de Apocalipse, que não trata apenas de eventos futuros, quando no capítulo 12 mostra a figura de uma mulher que representa profeticamente as duas fases desse reino sacerdotal: Israel e a igreja, esclarece nos versículos 10 e 11 que o verdadeiro motivo por que o dragão (o diabo) persegue a mulher, símbolo tanto de Israel quanto da igreja, é a salvação proveniente de Deus e a vitória do seu povo sobre satanás.
 
Essa verdade é de extrema importância para satanás. E não é de admirar que ele, autor e principal causa da perdição dos homens e o agente originador de todo o esquema montado há milênios para o extermínio da raça judaica, nutrisse um profundo e terrível ódio pelos judeus.
 
Esse ódio foi desfechado contra o povo judeu durante toda a história anterior a Jesus, tanto para impedir o seu nascimento como para eliminar, por vingança, aqueles que haviam sido o instrumento de Deus para que a salvação se manifestasse ao mundo, a partir do concretizado nascimento virginal daquela criança em Belém da Judéia, que trouxe a humanidade a oportunidade de ser salva da condenação eterna.

Se não, vejamos:

Exemplos na História

Examinando um pouco a história judaica - ela está repleta de relatos de investidas contra esse povo - vamos conseguir distinguir com razoável evidência essa realidade.

*   Quando, no livro de Gênesis, capítulo 15, Deus anunciou a Abrão que ele teria um filho herdeiro, do qual descenderia os judeus, houve uma forte e maléfica manifestação sobrenatural, de origem satânica, para tentar impedir a concretização do cumprimento da promessa feita no capítulo 3 verso 15, do mesmo livro; 

*   Bastante conhecida em toda a Bíblia é a história do cativeiro de Israel na terra do Egito, quando o faraó daquela antiga dinastia, tentando impedir a continuação do povo hebreu, determinou a morte de todas as crianças do sexo masculino, instruindo as parteiras a não deixá-las viver. Essa foi uma das primeiras tentativas de Satanás para frustrar o propósito de Deus de trazer ao mundo o Salvador Jesus. Ele estava disposto a não permitir que através de Israel viesse o Salvador. E para cumprir o seu intento, se valeria dos homens que lhe dessem alguma brecha às suas ações, bem como dos esquemas humanos, todos quanto fosse possível;

*   No livro de Ester capítulo 3, versículo 6, lemos a narrativa do ódio gratuito de Hamã contra Mordecai a ponto de desejar matá-lo, pelo simples fato deste não reverenciá-lo. Nada obstante, quando ficou sabendo que Mordecai era judeu, não se contentou apenas em eliminá-lo, mas arquitetou um plano para exterminar toda sua raça. Fica claro que a ação para liquidar os judeus era totalmente sem motivo; apenas porque eram judeus;

*   Vários reinos e nações tudo fizeram para exterminar os Israelitas, tais como: os Moabitas, os Amonitas e os Edomitas. Estes últimos, quando da invasão e destruição de Jerusalém pelos exércitos do rei Nabucodonosor (ver Salmo 137.7);

*  Os babilônios, ou caldeus, cujos feitos causaram indignação ao Senhor, a ponto de determinar sobre eles o mesmo juízo que executaram em Judá, capítulos 50 e 51 do livro de Jeremias;

*   A perseguição acirrada e engendradas intrigas que Sambalate, Tobias e Gesém, após frustradas tentativas, fizeram a Neemias depois que Israel voltou do cativeiro babilônico, com a finalidade de impedir o restabelecimento do povo judeu em sua própria terra;

*   No século II a. C., no período dos Macabeus, Antíoco Epifânio, um rei selêucida, inimigo dos judeus, intentou exterminar os judeus e o Judaísmo, proibiu o culto dos judeus no templo de Jerusalém e os seus costumes religiosos;

*    O rei Herodes, depois de receber a notícia do nascimento de Jesus, ordena a matança de inocentes crianças de dois anos para baixo, para ter a certeza de eliminar Jesus. Segundo seus pensamentos, a sua motivação foi o receio de perder o seu reinado para aquele anunciado "intruso", chamado Rei dos Judeus pelos profetas;

*   O Império Romano, no ano 70 d. C., ao arrasar Judá e Jerusalém, finalmente provocou a morte dos últimos sobreviventes judeus (mais de 900), que ainda resistiam ao ataque romano dentro da fortaleza de Massada, junto ao Mar Morto;

*  Nos séculos anteriores à Primeira Guerra Mundial na Europa, em várias ocasiões, os judeus, foram alvos de perseguições e massacres. Um exemplo foi a conhecida noite dos cristais. Naquela época, eram obrigados a portar símbolos que identificassem sua condição de judeus, com a finalidade de indicar alvos de investidas racistas e atrocidades;

*   Nazistas na Segunda Guerra Mundial: aproximadamente, seis milhões de judeus foram mortos pelas mãos de Hitler. Quais foram os motivos do Fuhrer? Nenhum! Apenas pensar nos judeus como uma raça inferior, uma sub-raça, engrandecendo os arianos como sendo uma raça superior, além de motivos menos importantes, que levaram-no a propor a "solução final" para a questão judaica, ou seja, o extermínio dos judeus. Conseguiu realizar tudo isso, ajudado pela difusão de propaganda mentirosa comandada por Goebels, um de seus ministros, na qual eram atribuídos aos judeus muitos atos produzidos pelos próprios nazistas com a finalidade de incriminar os judeus. Hitler ainda afirmava estar fazendo uma grande obra para a humanidade, que era exterminar os assassinos de Jesus;

*  As nações árabes na batalha da conhecida Guerra dos Seis Dias na década de 1960. Esses povos árabes resolveram unir-se em um total de dez nações com o exclusivo objetivo, como chegaram a declarar, de varrer Israel do mapa naquela ocasião. Não fosse a mão de Deus... e Israel certamente não mais existiria;

*    Alguns anos atrás, durante a guerra do golfo, Sadam Hussein, ditador Iraquiano, tentou de toda forma e insistentemente, inclusive com ataques a Tel Aviv, incluir Israel no conflito com os Estados Unidos, com o objetivo de provocar uma guerra generalizada das nações árabes contra os judeus;

*   Os repetidos atentados a alvos judeus em várias partes do globo, como o ocorrido há pouco tempo, na história recente da Argentina.

Esses são apenas alguns dentre os inúmeros casos de investidas contra os judeus no decorrer da história antiga e contemporânea. As desculpas são as mais inconsistentes e as razões alegadas são falsas e desqualificadas. Os sentimentos e motivos não se justificam, até porque, ninguém tem o direito de desfazer da vida de quem quer que seja.

O verdadeiro motivo, entretanto, fica bem claro: os judeus foram o povo escolhido por Deus para trazer a redenção à humanidade; eles foram o instrumento usado por Iavé para revelar o seu amor ao mundo perdido.

Como foi dito acima, a perseguição aos judeus não teve início na segunda guerra mundial, através de Goebels, o ministro da propaganda de Hitler. Ela está íntima e diretamente relacionada com a divulgação do propósito de Deus de enviar Jesus ao mundo. E nessa linha, todos os que falaram (em especial os profetas) e, de alguma forma, tocaram no assunto, foram alvos das investidas de satanás, pelos mais diversos meios por ele controlados.

E isto vem desde o princípio através da história do homem e do papel que os judeus desempenhariam no contexto mundial, como nação escolhida por Deus para a redenção da humanidade. 

Não é intenção aqui de desculpar os judeus pelos seus erros cometidos nos séculos passados, mas de alertar acerca da exacerbação de sentimentos antijudaicos , que podem levar à ruína aqueles que se levantarem contra os instrumentos escolhidos por Deus. Só a ele cabe o julgamento. A ninguém mais.

Dessa forma, entendo que para cumprir o desígnio de Deus, os judeus haveriam de pagar o alto preço de ser o canal através do qual o evangelho haveria de alcançar toda a raça humana.

Como rejeitar aqueles a quem Deus ama e escolheu para beneficiar o mundo inteiro? A história dos judeus está patente aos olhos de Deus.

Uma coisa deve ficar bem clara: o amor de Jesus, que foi demonstrado pelo sacrifício de si próprio na cruz, com o propósito de salvar os seres humanos pela sua graça mediante a fé nele, esse mesmo amor é que tem preservado os judeus durante séculos, para cumprir os seus desígnios e trazer a redenção da humanidade.

O que tem sido dito até aqui não é uma defesa emocionada dos Israelitas, tampouco tem o propósito de ignorar o que eles fizeram de errado, mas trata-se de colocar as coisas no seu devido lugar e não tomar parte no juízo de Deus sobre os judeus. E aqui não cabe julgar a culpabilidade de Israel que justifica os ataques por ele recebidos.

O castigo de Deus a Israel é algo de exclusiva competência de Deus, no qual não cabe qualquer intromissão. Até mesmo para não suceder a alguém o que aconteceu a outras nações que receberam o merecido castigo pelo que fizerem a Israel. Quem deve lhe pedir contas pela sua desobediência é Deus e não nós. Os antigos inimigos de Israel praticamente já não existem. A grande maioria foi reduzida à nada.

Alguém pode ter a tendência de pensar e agir, mais ou menos dessa forma: - se Israel sempre desobedeceu a Deus, não quis andar nos seus caminhos e até rejeitou o seu Messias (Jesus), a ponto de ele levantar várias nações antigas para castigá-lo, devemos então também desprezá-lo, rejeitá-lo e odiá-lo.

No entanto, é preciso lembrar que, os povos que foram utilizados por Deus para castigar Israel, esses mesmos povos foram alvos do juízo de Deus pois, no papel de serem instrumentos de Deus para punir Israel, tiveram prazer em suas ações e, excedendo-se no castigo, ultrapassavam os limites desejando ver Israel destruído.

Em nenhum momento pode ser esquecido que Deus é o Pai de Israel e, como tal, seus castigos a Israel visam à sua restauração e não à sua destruição. É preciso que aqueles que dizem ser cristãos e professam o nome de Deus considerem e se conscientizem de algo que deve ficar bastante claro: Israel é um povo que possui uma aliança eterna com Deus e essa aliança jamais será quebrada.

É necessário serem considerados os propósitos de Deus com Israel. Apesar de seus erros, devemos amar os judeus e opor-nos a qualquer tipo de ressentimento e amargura contra eles. 

E aqui cabe a frase de um autor desconhecido:

"Estranho que Deus escolheu o judeu; Mas muito mais estranho que, aqueles que escolhem o Deus dos judeus, odeiem o judeu".

Deus é o Juiz
 
Na verdade, eu creio que os julgamentos divinos que caíram sobre a nação de Israel são justos do ponto de vista de Deus. Não nos compete julgar aquilo que Deus reserva como prerrogativa sua. 

Os judeus, por assim dizer, já sentiram na pele as consequências de algumas de suas irreflexões, como as que estão registradas nos evangelhos, tendo sido a rejeição de Jesus a principal delas.

Muitos dos sofrimentos dos judeus, tanto os narrados na Bíblia como os mencionados na História Geral, estão relacionados com sua incredulidade e desobediência a Deus, nos tempos do Antigo Testamento, e com a rejeição do Messias (Jesus Cristo) na era cristã. 

Porém isso não dá a ninguém o direito de odiá-los.

No discurso de Pedro, narrado no capítulo 4 do livro de Atos, o apóstolo menciona que Herodes, Pôncio Pilatos, gentios e os povos de Israel se ajuntaram contra Jesus para fazerem tudo que já havia sido predeterminado por Deus. 

Dessa forma, a atitude dos judeus para eliminarem o Autor da vida constituiu:


1) da rejeição deliberada e consciente da nação:
a) os que foram prendê-lo viram 2 milagres: recuo e queda dos soldados e a restauração da orelha direita de Malco (João 18.6,10);
b) tinham visto a ressurreição de Lázaro; mesmo assim, não quiseram crer e procuraram matar Jesus e a Lázaro (João 11.45-47; 12.9-11);
c) ouviram de mau grado a palavra de Deus (Mt 13.15);
d) o mesmo conselho que o condenou tinha consciência da sentença que pairava sobre seus membros (At 5.28);
e) constituição de falsas testemunhas (Mt 26.59-60; Mc 14.56-58).


2) da entrega de Jesus a um governador romano que:
a) sabia que o tinham entregue por inveja (Mt 27.218?);
b) sabia por si próprio e conscientemente que ele era justo (Mt 27.24);
c) não viu nele culpa nem crime algum (Lc 23.4, 14-15; João 18.38; 19.4-6);
d) sabia que ele era justo pelo testemunho de sua mulher (Mt 27.19);
e) ficou atemorizado (Lc 22.51);
f) possuía autoridade para condenar e absolver Jesus, segundo duas próprias palavras, mas decidiu não fazê-lo por motivos políticos (João 19.10);

Algumas razões ou causas que levaram os judeus a adotarem essa posição tão desastrosa para eles e sua descendência:
a) na responsabilidade social: descaso, indiferença, negligência e displicência;
b) sob o aspecto religioso da nação: incredulidade, amor ao mundo;
c) soberba nacional: presunção, irresponsabilidade, orgulho, precipitação: “...e todo o povo respondeu: o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos” (Mt 27.25);
d) injustiça e ingratidão: teimosia - “Jerusalém, Jerusalém que matas os profetas... quantas vezes quis eu juntar os teus filhos... e não o quisestes “ (Mt 23.37);

Em decorrência disso, receberam tudo que lhes aconteceu e ainda acontece atualmente. Por tão triste e infeliz decisão que tiveram em rejeitar Jesus o Príncipe da paz, atraíram sobre si consequências gravíssimas que seus atos mereceram.

Em uma das viagens que fiz ao Oriente Médio com uma caravana, após vermos na cidade do Cairo, no Egito, centenas de adultos e crianças maltrapilhas e famintas, em condições subumanas e miseráveis, vivendo em um antigo cemitério, um pastor que comigo viajava fez o seguinte comentário: “isso é bom, para pagar o que eles fizeram com os Israelitas”.

Essa atitude reprovável contra os egípcios envolvia vidas inocentes, seres humanos que nada têm a ver com a maldade do antigo Faraó e de seus antepassados. Não precisamos, não devemos e nem podemos acolher tão irracional atitude pró judaica, a ponto de nos alegrarmos com o infortúnio com o qual foram acometidas vidas humanas.

Dessa mesma forma, deparamos, também, com posições antijudaicas loucas e inflamadas pelo ódio.

A nós cabe, tão somente, deixar Deus agir livremente sem querermos interferir em seus atos soberanos. Mesmo porque toda a humanidade é culpada pela morte de Jesus e não somente os judeus.

Isso apenas faz parte de um julgamento temporário dos israelitas da parte do próprio Deus. 

Entretanto, somente ele pode fazer esse juízo porque é justo, sabe o que faz e diz respeito apenas a ele, pois os pecados dos judeus foram direcionados e afetaram ao próprio Deus e a nós não foi dada a autoridade de julgar, principalmente usando as armas do ódio e da vingança.

Apesar de todos os seus erros, nunca, nenhuma nação ou povo fez coisas boas e úteis tão grandiosas e estupendas como fez a nação de Israel. Não se pode olvidar que o mundo inteiro foi extremamente favorecido pelos judeus e a eles deve muitíssimo.

Além disso, uma coisa importante que devemos considerar é que os judeus são monoteístas e, para defender a Deus e a sua fé no Único Deus a quem professam, estão dispostos a perderem as suas próprias vidas, coisa que alguns de nós cristãos tememos até em falar.

Será que estamos conscientes de que Israel foi constituído como nação sacerdotal, com o propósito de trazer a redenção para a humanidade? Como desprezar e até odiar um povo que o próprio Deus ama?

Israel é chamado por Deus como “a menina de seus olhos”. Eis mais alguns tratamentos carinhosos de Deus para com Israel: “Bichinho de Jacó”; “Povozinho de Israel”; “Minha Herança”.

Um dos nomes de Deus, pelo qual ele se autodenomina e se tornou conhecido, é: O Deus de Israel. Revelou-se como o Deus de Abraão; o Deus de Isaque; O Deus de Jacó - patriarcas judeus -, e, ainda, o Poderoso de Jacó.

Aqueles, pois, que pensam em algo como a aniquilação dos judeus, devem se lembrar que um judeu, Jesus, dentro em breve governará a terra. E não somente a terra mas todo o universo, e isso de forma plena e em todos os aspectos.

E mais: ao assumir o governo, procederá a um julgamento dos homens e de todos os poderes naturais e sobrenaturais e determinará a recompensa ou a sentença justa e merecida por cada um. É importante dar aos judeus a mesma consideração que Deus dá. 

Nada mais é necessário além disso!

Benfeitores

Portanto, sempre é bom ter em mente a promessa de Deus feita a Abrão em Gênesis 12.2, de que abençoaria aos que o abençoassem e amaldiçoaria aos que o amaldiçoassem, pois ela ainda permanece de pé, plenamente em vigor. Quem se indispuser contra os judeus estará em sérias dificuldades diante de Deus.

Como indivíduos, os judeus que recebem Jesus como Salvador foram no início da era cristã, continuam sendo agora e sempre serão parte da igreja de Cristo.

A obra missionária mundial foi iniciada pelos judeus. Aliás, Edith Schaeffer, esposa de Francis Schaeffer, em seu livro O Cristianismo é Judaico, tece alguns comentários lembrando as origens do Cristianismo.

A Igreja do Novo Testamento precisa ter consciência de que a sua existência, humanamente falando, é devida aos judeus. Não deve se esquecer de que “a salvação vem dos judeus” - João 4.22. As profecias do Antigo Testamento a respeito da evangelização de todos os povos indicavam que a ação missionária partiria dos judeus. “De Sião sairá a lei e a palavra de Deus de Jerusalém” - Is 2.3; Mq 4.2; Lc 24.47.

Prova disso é que a quase totalidade das manifestações de Deus à igreja e ao mundo, a Revelação Geral e a Revelação Específica, tanto de sua pessoa como de suas obras, decretos e propósitos, foi feita através dos judeus, na qualidade de historiadores, profetas, reis, pescadores, estadistas, homens do campo, legisladores, nobres, juízes, sacerdotes, etc.

Secularmente, o código judaico, que muito subsidiou e sobremaneira influenciou o Direito Romano e a filosofia de quase todos os povos em todos os continentes, foi retirado do decálogo e da jurisprudência da lei mosaica.

Dessa forma, povos de todo mundo possuem uma enorme e impagável dívida de gratidão para com o povo judeu pela sua contribuição que deram.  

Grandes cientistas e estadistas judeus beneficiaram a humanidade, tais como Albert Einstein; Albert Sabin; Elie Wiesel – Nobel da Paz 1986; Gustav Mahler – maestro regente; Henry Kissinger – Secretário de Estado; Isaac Asimov – escritor; George Gershwim – Compositor; Benjamin Disraeli - conde de Beaconsfield (1804-1881), escritor e primeiro-ministro britânico; Isaac Bashevis Singer – escritor e Nobel de literatura 1978; Maimônides – pensador; Marc Chagall - pintor, desenhista, gravador e vitralista; Marcel Proust – apontado como o maior – e mais influente – escritor do século XX; Steven Spilberg – cineasta; Arnaldo Niskier - jornalista, professor, educador, administrador, ensaísta, orador, diretor de empresas, e secretário de ciência e tecnologia. Além desses, há um grande elenco no mundo das artes, da ciência, da literatura, etc.

Outro fator de grande importância no povo judeu é que, por desinformação ou má compreensão da história dos hebreus, muitos desconhecem os efeitos das orações feitas por aqueles que possuem maior zelo pela fé judaica. Se alguém pensa que Deus não está ouvindo a oração dos judeus, necessita de maior intimidade com a Bíblia, a fim de compreender os planos de Deus para aquele povo.

As orações dos judeus realizadas no Muro das Lamentações, em Jerusalém, sem dúvida alguma, são ouvidas por Deus e serão por ele respondidas na ocasião oportuna.

Um dos mais insistentes pedidos dos judeus em suas constantes orações, e também em inúmeras de suas canções, é para que, na concepção deles, o Messias venha. E a promessa de Deus é clara: “Virá de Sião o Libertador, ele apartará de Jacó as impiedades” - Rm 11.26. 

Outra oração é para que a paz, tão desejada, venha a eles.

E virá, de fato, quando Jesus se revelar a eles e, então, dirão: ”ele é a nossa paz”; e ”bendito o que vem em nome do Senhor” – Isaías 54.7-10, 13; Mt 23.39; Lc 19.42-44.

Acredito que se houver melhor entendimento dos propósitos de Deus para os judeus e das sinceras orações que continuamente realizam, certamente a fé dos israelitas será alvo das intercessões de todos os cristãos.

Não me restam dúvidas de que Deus ouve as suas orações e, um dia terão resposta, cujos resultados deverão trazer a paz tão almejada e sonhada pelos remanescentes de Israel.

Os fatos negativos, perseguições e a dispersão dos judeus, em parte, foram motivados pelas falhas deles em entender, na sua plenitude, os propósitos de Deus. Isso, entretanto, não significa que Deus os rejeitou para sempre. Pelo contrário, usou-os com poder e graça, e, mesmo a despeito de não serem seu instrumento como nação, muitos deles honraram o seu Deus, Iavé. 

Queiramos ou não, a função dos judeus na transmissão da mensagem de Deus é indiscutível. Somos gratos aos judeus por haverem sido eles o elo entre Deus e nós. Nossa dívida de gratidão para com os judeus é de inestimável preço, como de um filho ao seu pai. 

Na Teologia Paulina, os gentios são zambujeiros, espécie de oliveira brava, enxertados nos ramos naturais, que são os judeus. E a observação do apóstolo é para que não haja nenhuma atitude de vanglória dos gentios sobre os judeus, pois são eles que sustentam os gentios e não o contrário. 

A visão escatológica do profeta Zacarias dá conta de que, em um futuro breve, as nações que desejarem buscar o favor do Senhor deverão recorrer à intermediação dos judeus - Zc 8.20-23. 

Conclusão

Finalmente, não podemos esquecer de que Israel é a menina dos olhos de Deus - Zc 2.8 8.23. “Se sua rejeição foi salvação dos gentios, que não será da sua restauração senão salvação mais plena?” - Rm 11.15.

Nas Escrituras Sagradas existem as mais diversas e gloriosas promessas para os judeus. Basta um exame rápido dos seguintes textos para termos uma compreensão mais clara de como devemos considerar os judeus: 2 Sm 7.23; Jr 31.7; 31-36 e 37; 33.25-26; 50.5-7; 33,34; 51.5; 51.49. 

Existe uma aliança eterna entre Deus e os judeus que não foi e nem será quebrada jamais - Is 54.7,8,10; 55.3.

Para nos posicionarmos definitivamente quanto à aceitação dos judeus, por si só, a seguinte afirmação basta:

*Jesus Cristo: divinamente, é o Deus Eterno; humanamente, é um judeu.