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29 de março de 2018

O Mistério do Sofrimento

Ézio Pereira da Silva

PRIMEIRA PARTE - 2 Co 1.3-7

Quem pode compreender, de verdade, o sofrimento?

Quem é sábio o suficiente para conhecer o que é o sofrimento? Quem pode avaliar o seu real significado, sua importância, valor, tipos, razões, dimensões, propósitos, necessidades, níveis de intensidade, abrangência e resultados?


O sofrimento na dimensão humana.

Sofrimentos necessários para treinamento e preparo de quem precisa ter experiência e vai usar esses mesmos sofrimentos para ajudar e cuidar de outros.

Sofrimentos, no caso dos cristãos, por causa do testemunho que compartilham.

Sofrimento por incompreensão, por incapacidade de realizar alguma coisa, pela perda de esperança, por frustrações, por vergonha, até sofrimento sem causa aparente, além do sofrimento causado pelo sofrimento de alguém.

Neste particular, vale lembrar da solidariedade da raça humana, na qual, cada ser humano tem parte, de alguma forma e em determinada intensidade, com o bem ou mal, que ocorre com o seu semelhante.

Sofrimento por causas naturais.

Sofrimentos decorrentes de causas naturais, ou sociais, tais como enchentes, epidemias, revoluções, guerras, conflitos diversos, etc. São os mais variados. Isso, porém, tem uma origem: A Queda de Lúcifer e do Ser Humano.

Segundo as Escrituras Sagradas, quem provocou e trouxe o sofrimento ao ser humano foi ele mesmo! Então, sendo assim, em princípio, ele não tem de que reclamar.

Sofrimento com a geração da família (Gn 3.16); sofrimento com trabalho (Gn 3.17-19, 23); sofrimento com a preparação da terra, etc. Não era para ser assim.

A promessa era para todos viverem no jardim, sem sofrimento. Mas, expulsos, o esforço para se manterem vivos constituiu-se em sofrimento. O próprio trabalho, como referido acima, é um sofrimento. Consequência da rebelião do ser humano contra Deus.

Foi mais intensificado ainda pelo enfraquecimento da força do solo, da terra (Gn 4.12), por causa da maldição que caiu sobre o planeta (Gn 3.17), em decorrência do pecado do homem que a contaminou.

Em função dessa nova realidade de vida, houve, também, uma intensificação do sofrimento. Vide a sentença sobre Eva em Gênesis 3.16.

Neste ponto, é necessário dizer que o pecado é anterior a Adão. Isto é, antes da criação do ser humano na face da terra.

Observe que a criatura humana pecou antes da queda, quando estava ainda no seu estado natural da inocência. Não foi a queda que levou o homem a pecar; mas o pecado levou o ser humano a cair. O pecado ocasionou a queda e não a queda ocasionou o pecado. Lembre-se de que Lúcifer pecou antes do homem.

O problema, então, já existia antes. Isso nos leva a pensar e a entender que Deus precisava tratar com a natureza original do ser humano. Exatamente, a que ele possuía antes da queda.

Alguma coisa precisava ser feita. Algo que já estava na presciência de Deus. Um plano perfeito, cujo tema eu tratei no artigo "A Intrigante e Necessária Queda de Lúcifer e do Ser Humano". Leia neste site.

O sofrimento na natureza animal.

O sofrimento intenso da ostra para preservar a si própria de um ataque produz um pérola de alto valor. Assim é o sofrimento. É salutar para preservar a vida física e dar condições para tomar posse da vida eterna.

O sofrimento é necessário para produzir pérolas. Como no exemplo das ostras, pérolas são produtos de dor, de sofrimento. São feridas curadas, como alguém já disse.

Tipos e áreas de sofrimento.

Além dos já mencionados, há uma variedade enorme de situações, áreas e tipos de sofrimento, com as quais convivemos.

A dor

O sofrimento é necessário, assim como a dor é necessária para diagnosticar uma enfermidade silenciosa, sutil e mortal, e preservar da morte alguém que a contraiu. Várias doenças se tornam manifestas pela dor, a fim de serem debeladas, destruídas.

A fome

A fome é outro sofrimento necessário. Ninguém sobrevive sem fome, pois, sem ela, não há como se alimentar naturalmente. Sem a fome, o organismo rejeita o alimento. Sem fome a pessoa morre (de fome). Não estou considerando certas alternativas da medicina como a alimentação enteral, via sonda. Refiro-me estritamente ao processo natural.

Existem diversos tipos de sofrimento, bem como, inúmeras causas.

A primeira e maior de todas é a falta do conhecimento de Deus. Este é o motivo, a raiz principal e a origem de tudo.

Eis alguns outros:
- abandono de filhos a pais e de pais a filhos;
- desprezo entre irmãos e demais familiares;
- pela perda de um ente querido;
- pela despedida do emprego, principalmente em tempos de escassez;
- carência de alimentos para sobrevivência;
- por acometimento de enfermidades;
- por injúria, difamação, perseguição;
- pela falta de moradia;
- por desavença entre casais, incompreensões, falta de diálogo;
- frustrações diversas e ansiedade;
- perdas materiais e financeiras;
- preconceito social, racial, religioso ou cor da pele;
- por ser mulher; por ser homem;
- desprezo de amigos;
- solidão imposta;
- saudades;
- por preocupações diversas;
- pelo sofrimento dos outros, notadamente quando nada pode ser feito;
- injustiças diversas;
- ... a lista é enorme; tende ao infinito.

Vontade de Deus x Vontade Humana

Invariavelmente, a vontade de Deus com relação ao ser humano está intimamente associada à morte ou resignação deste. Com efeito, para que a vontade de Deus seja realizada, é necessário que intervenha a morte do ser humano, ou seja, a renúncia de sua vontade própria, visto que esta é contrária e incompatível com a vontade de Deus.

Nesse contexto, a morte (escolha da vontade de Deus) sempre esteve e estará negativamente relacionada com a vontade própria do ser humano. Vide a história de Adão e Eva.

Isso porque, o ser humano não consegue, naturalmente, fazer a vontade de Deus sem renunciar à sua própria. Por quê? Porque a vontade do ser humano está associada à natureza caída, herdada de Satanás e esta é oposta à natureza de Deus.

Mesmo se considerarmos a vontade natural, intrínseca do ser humano, antes da queda, ainda assim, há resistência à obediência a Deus.

A vontade de Deus não é recebida comodamente pelo ser humano, nem mesmo sem questionamentos e resistência.

Daí, a necessidade da interveniência da morte. Para o homem fazer a vontade de Deus, só mesmo morrendo. Ou seja, renunciando à sua própria vontade, pela ação direta da cruz em sua vida.

Logicamente, Deus só podia tratar com o ser humano depois de criá-lo. Impossível antes! Deus precisava deixar o homem tomar a sua própria decisão. Por isso, Ele o criou com o livre-arbítrio. O ser humano possui decisão pessoal.

Origens do Sofrimento.

Em princípio, por desconhecer a Deus, o sofrimento do ser humano tem como origem, raiz ou causa primeira, o seu desejo de fazer o que bem entende, tendo como resultado imediato a sua rebelião contra Deus.

A raça humana possui obsessão por obedecer à sua vontade própria. Quando lhe é oferecida a oportunidade de escolher a vontade de Deus, ele não se dispõe a abrir mão da sua vontade própria.

Assim, vem seu sofrimento. Isto é, a decisão de substituir a sua vontade pela vontade de Deus. É a escolha de fazer a vontade de Deus em detrimento de sua própria. E isso, para o ser humano natural, é sofrimento.

Naturalmente o homem não aceita isso! Lembre-se de que Eva, antes de ceder à tentação, portanto fato anterior à queda, ela já possuía a tendência de resistir a obedecer a vontade de Deus. Só faltava o incentivo. A tentação, efetivamente, foi a gota d’água.

Por isso, a necessidade do advento da morte (o ato de rejeição da vontade própria), a qual traz consigo o sofrimento, a "dor de cotovelo" (expressão de tristeza por ter de abrir mão da vontade própria), a discordância, a insatisfação, o descontentamento proveniente da renúncia à vontade pessoal.

Com isso, para conseguir ser reabilitado à presença de Deus, ele deveria renunciar à sua vontade própria (morte) para fazer a vontade de Deus.

Assim é que se opera a morte no homem. Esse é o significado da cruz: morte! Ou dizendo de outra forma: trocar a vontade própria pela vontade de Deus. Negação de si mesmo. Isso é renúncia! Isso é morte!

Algo, entretanto, pode permanecer em questão: todo sofrimento tem origem, ou é resultado da desobediência a Deus? A resposta é: Sim! Em linhas gerais, sim!

Porém, observe! Pode haver exceção.

Há o que poderíamos chamar de sofrimento secundário. Ou seja, o sofrimento derivado de outro sofrimento. Ou aquele sofrimento que não é resultado direto da desobediência.

Por isso, a cruz se faz necessária. É imprescindível morrer!

Dessa forma é que vem o sofrimento. O sofrimento, então, é resultado dessa luta interior contínua do ser humano que deseja fazer a vontade de Deus. Essa batalha intensa do espírito do homem recriado contra a natureza carnal: a teimosia em fazer a vontade própria. Aí é onde entra a ação da cruz.

Neste caso, o sofrimento não é provocado pela vontade de Deus em si mesma. Ele é provocado pela rejeição natural do ser humano em obedecê-la. O sofrimento não deriva da execução da vontade de Deus, mas do sentimento do ser humano oposto à vontade divina, que é fazer a sua própria vontade.

Mas, alguém pode argumentar: "Quem obedece também sofre!". Sim, é verdade! Porém, existem duas observações a serem consideradas:

Primeira, o sofrimento não é o imediato, mas o sofrimento que é resultado da permanência em uma condição anteriormente estabelecida, contrária à vontade de Deus, condição essa que exige a necessidade de mudança atual. Ou seja: o sofrimento interior provocado pela necessidade de mudança.

A pessoa sofre porque sabe que precisa mudar. A sua própria disposição/propósito em mudar é combatida pela sua vontade latente de permanecer sem mudança, sem nenhuma alteração. A resistência à mudança. O desejo de continuar como está.

Segunda, o sofrimento provocado por condições exteriores, não da própria pessoa, exatamente pela concretização de ações decorrentes da obediência. Isto é, o sofrimento de origem externa, infligido por alguém ou por condições adversas, desencadeadas exatamente, por causa da obediência a Deus.

O sofrimento de Jesus é o exemplo por excelência. De fato, Ele sofreu, porque obedeceu. Todo o sofrimento de Jesus teve como causa a obediência ao Pai.

Como a vontade de Deus sempre é benéfica, perfeita e amorosa, e a do ser humano, na condição de caído, é sempre má, conforme registrado no capítulo 6 de Gênesis, haverá, sempre, o sofrimento decorrente desse conflito.

Quando alguém resiste ao que Deus fala, Ele o deixa andar segundo seus próprios caminhos. O sofrimento deste vai ser insuportável, a ponto de clamar ao Senhor, novamente. Vide os Salmos históricos 81, 106 e 107.

O que nos causa mais sofrimento? É exatamente a resistência que temos em nos submeter à vontade de Deus.

Como aliviar o sofrimento? Vivendo em um estado contínuo de morto, de resignado, de crucificado. Paulo disse: "Estou (tem a conotação de continuidade) crucificado com Cristo".

É impossível querer fazer ou deixar de fazer as coisas por própria força e vontade. A chave é descansar em Deus, sem fugir da responsabilidade individual, e confiar nele. Aí o sofrimento será infinitamente menor, por não haver resistência em realizar a vontade de Deus.

O que devemos fazer diante dessa realidade?

Atitudes a serem tomadas:
1) Reconhecer nossos erros, assumindo nossa responsabilidade;
2) Reconhecer nossa total dependência de Deus, sem deixar de fazer a nossa parte - "esforça-te..." Josué 1;
3) Tomarmos atitudes e ações concretas, que demonstrem nosso arrependimento e desejo de mudança;
4) Caminhar com persistência e perseverança no compromisso assumido com Deus e conosco mesmo;
5) Esperar com confiança e pacientemente no cumprimento de suas promessas para nós;
6) Não nos esquecermos que vidas podem ser beneficiadas com nosso sofrimento, segundo a vontade de Deus;
7) Entender que o sofrimento não é o fim mas o instrumento, o caminho, o meio que Deus usa para nos proporcionar a felicidade eterna.

Observem essas proposições:
1) Não pratiquemos ações que nos levem ao sofrimento desnecessário;
2) Tenhamos o consolo pela lembrança de que outros também sofrem - 1 Pe 5.8-10;
3) Regozijar-se ao passar pelo sofrimento em vista do consolo futuro - I Pe 4.12-14;
4) Considerarem-se felizes ao serem perseguidos - Jesus - Mt 6.11;
5) Alegrai-vos no Senhor - Fp 4.4;
6) Reinar já, apesar dos sofrimentos - Rm 5.17;
7) Possuir alegria contínua em todo tempo - Salmo 118.24;
8) Revestir-se de louvor em vez de espírito angustiado - Isaías 61.

Continua - Aguarde a SEGUNDA PARTE

9 de outubro de 2017

A Vitória do Cordeiro de Deus

Ézio Pereira da Silva

... continuação do artigo "O Plano Eterno de Deus". Caso não tenha lido, acesse este link.

4) Jesus Cristo - O Soberano Absoluto. O Supremo representante da raça humana.
"E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés... Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos". - 1Co 15.24-28.

A responsabilidade pela criação e estabelecimento do ser humano no mundo na condição de pecador é de Deus. Contudo, Ele não é injusto.  Possuindo um caráter total e plenamente justo, Deus não abdica de suas atribuições, respondendo, ele mesmo, pelas suas ações.


Por isso, também, Ele enviou Jesus para assumir e levar sobre si essa responsabilidade. A pesadíssima carga foi colocada sobre os ombros de Jesus. Deus não fica devendo nada a ninguém! Na verdade, ele assumiu tudo o que planejou! "Fez a ferida e a curará" - Os 6.1; Is 30.26; 52.13-53.12.

Em um esforço supremo, tente imaginar a extraordinária e magnífica importância do Plano Eterno de Deus. Era e é tão enorme, que foi necessária a encarnação de Deus, Jesus Cristo, sujeitando-se a grande e intenso sofrimento e morte cruel. 

Com efeito, para a extinção da essência do mal no universo, a intervenção pessoal de Deus na raça humana se fazia imprescindível.

Nunca houve nem haverá em toda a história da humanidade e do universo algo semelhante, que se compare ao Plano Eterno de Deus. Ele é eterno e se estende de eternidade a eternidade. Ultrapassa os limites de todas as ciências e do conhecimento humano.

Da parte de Jesus, não foi apenas um sofrimento atroz, cruel, inimaginável! Nem, tampouco, apenas algo insuportável para o ser humano. Muito mais que isso! O que elevou ao infinito a aflição de Jesus como algo nunca imaginado por qualquer criatura humana, foi o fato de ser Ele o amoroso Criador daqueles que o supliciaram.

Essa condição, por si só, agravou infinitamente a dor profunda e a humilhação dele em seu martírio. Que sofrimento doloroso ele suportou ao ser totalmente desprezado, afrontado, abusado, torturado e morto pelo ser que havia criado com total, profundo e completo amor!

Nunca houve até então, nem nunca haverá fato semelhante a esse! Acontecimento singular, sem paralelo nem repetição em toda a história universal.

Como foi o processo?

Ao chegar a plenitude dos tempos, ou seja, o tempo certo, ideal, preparado, exato, marcado e determinado, Deus, então, dando prosseguimento à sua teodiceia, dentro de seu Plano Eterno, envia à insignificante aldeia de Nazaré da Galiléia, em Israel, um mensageiro angelical.

O anjo Gabriel visita a humilde cidade para noticiar a uma virgem mocinha, chamada Maria, pertencente à tribo de Judá, que Deus vai realizar uma incursão pessoal na terra. Mais propriamente, uma interferência na raça humana, fazendo brotar da raiz de Jessé um renovo.

Seria levado em consideração, no entanto, a existência de uma condição legal de entrada na terra: O planeta destina-se apenas ao ser humano e o meio para entrar nele é através do nascimento físico (Sl 115.16)*. Deus, então, providencia a concepção humana de Jesus, através do Espírito Santo colocando no útero de Maria a semente de vida.

A terra é, legalmente, de propriedade do ser humano, doada pelo próprio Deus. Ainda que, talvez, possa ser apenas como depositário mas, a posse legal é dele. E essa posse ele a entregou a Satanás, juntamente com o domínio de sua vida.

Como Adão foi o responsável pela queda do homem, isto é, quem entregou a Satanás legalmente, de sua livre e espontânea vontade, o direito de propriedade sobre a sua própria vida e, por descendência natural, a vida de toda raça humana, tornando-se ela escrava (2Pe 2.19), apenas outro ser humano poderia reaver esse domínio.

Observe que Satanás não forçou ou obrigou o homem. Ele apenas o iludiu, com base na cobiça do ser humano. Ele subjugou a si a humanidade! Usurpou através da sagacidade. Nos tempos antigos, quem conquistava um reino, não importando se à força ou não, tinha o domínio legal sobre ele.

Satã confessa isso quando disse a Jesus na tentação: "... Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser"! - Lucas 4.6. E Jesus não desmentiu o Tentador sobre essa entrega voluntária e legal que Adão lhe fez.

Satanás se enganou ao pensar que derrotaria Jesus, atacando-o com dúvidas a respeito de sua identidade eterna e de sua filiação ao Pai, utilizando sua arma mortal insufladora de desejos incontroláveis de apetites humanos de sobrevivência física. Ouviu o retumbante "...está escrito..."! - Mt 4.4.

Quando o adversário percebeu que Jesus utilizara a Palavra de Deus, quis alcançar supremacia usando, estrategicamente, a mesma fonte de autoridade aplicada pelo Mestre: a Palavra. 

Entrementes, logo percebeu que distorcer a Palavra para o seu próprio Autor (o mesmo ardil que empregou com Eva, no Jardim) não lograria êxito frente à emenda contraditória e repressora de sua "interpretação" premeditada e  maliciosamente deturpada das Escrituras - "... também está escrito..."! - Mt 4.7.

Satanás sofreu sua derrota devastadora no primeiro embate com Jesus, ao ouvir dele a ordem impositiva para se retirar, sob a sentença de que o Único que tem o direito de ser adorado é o Pai - "... Retira-te, Satanás, porque está escrito..."! - Mt 4.10.

Para efetivar o resgate, no entanto, a exigência, segundo a lei de Deus, era a expiação do pecado pelo sangue - Lv 17.11. De fato, "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). O sangue para a redenção do ser humano precisava ser Inocente, puro e incontaminado.

A fim de não trazer em si mesma a natureza pecaminosa da raça humana contaminada pela ação de Satanás, o ente humano a ser gerado não poderia ser resultado da relação conjugal de um casal.

Objetivando não se contaminar com o pecado original que, imperiosamente, foi passado a todas as pessoas nascidas na terra, Jesus deveria nascer de uma virgem.

Assim, o Deus Todo-Poderoso, consegue, então, pelas vias legais, colocar na face da terra um homem puro; um ser humano sem contaminação*. Deus, como é justo, não infringiu a lei que ele mesmo estabeleceu.

Dessa forma, Deus, pelas vias legais* do nascimento físico humano, está trazendo à existência na terra o seu próprio Filho, que se chamará Jesus.

Chegada a data de seu nascimento, Herodes, o Grande, o rei que representava o Império Romano na Judeia, procurou com todas as suas diligências aquela criança indesejada, a qual aspirava matar, motivo apresentado por ele para assassinar outras crianças inocentes.

No final da saga humana, na eternidade futura, Herodes ainda irá se encontrar e se ajoelhar perante aquela criança, cujos pais o levaram para o Egito, fugindo da astúcia e sanha criminosa desse rei. Só que em condições nada semelhantes àquele fatídico contexto histórico da região de Belém, da Judeia.

A História continua!

Conforme deixei indicado no texto anterior, Jesus é a figura central, em volta da qual todo o Plano de Deus foi idealizado e está sendo executado. Ele é a mente controladora por detrás de tudo. O legítimo e o representante por excelência da raça humana.

Na caminhada para a última semana de sua vida, e quando vai se aproximando a hora, Jesus vai viver, sozinho, os últimos e mais terríveis momentos de sua trajetória aqui na terra.

Jesus é o centro de todo o universo. Tudo está orbitando em volta dele. No palco, Jesus está atuando magistralmente! Ele vai realizar agora o maior, mais profundo, significativo e extraordinário ato jamais visto e protagonizado por qualquer espécie de ser. 

Com sua batuta, regência, maestria e em unidade perfeita com o Pai, Jesus vai comandar, pessoalmente, os momentos finais e as horas mais difíceis do Plano Eterno de Deus.

Jesus era o ponto de convergência naqueles dias e detinha o controle absoluto de todas as coisas, acontecimentos e pessoas, quer estivessem conscientes disso ou não, de modo que fosse levado a efeito na sua inteireza o Plano de Deus - Jo 19.10-11.

Escribas, fariseus, sinédrio, sacerdotes, império romano, príncipes, rei, governador, discípulos, familiares, guardas romanos, autoridades de Israel, comandantes, reino das trevas, reino celestial, os universos físicos e espirituais, enfim, tudo! Todas as atenções estão voltadas para aquele personagem em Jerusalém naquele dia. Jesus comandava todo o espetáculo!

Sem nenhuma violência, através de sua morte voluntária e vicária, ele vai destronar Satanás do seu poder e proclamar a liberdade para o ser humano reencontrar-se com Deus.

Não eram marionetes! A liberdade de cada um estava preservada, sendo exercida livremente mas, a despeito disso, tudo deveria contribuir para o cumprimento do propósito eterno e soberano de Deus.

Tangendo o relato principal, dramas profundos de Jesus em conexão direta ou indireta com os seres, personagens, fatos, acontecimentos e momentos diversos relacionados a seguir, poderiam ser narrativas extraídas isoladamente de sua vida e acrescentadas legitimamente à sua história.

Jesus e os cravos da cruz;
Jesus e a viúva pobre no gazofilácio;
Jesus e o Monte das Oliveiras;
Jesus e o cálice da amargura;
Jesus e seu suor como sangue;
Jesus e os mestres da lei e os saduceus
Jesus e o Sermão Profético;
Jesus e os tributos;
Jesus e os cambistas vendilhões no templo;
Jesus e o rei Herodes, o Grande;
Jesus e Pilatos;
Jesus e o rei Herodes, a Raposa;
Jesus e a mulher de Pilatos;
Jesus e as mulheres de Jerusalém;
Jesus e o centurião da crucificação;
Jesus e os ladrões crucificados;
Jesus e Nicodemos;
Jesus e José de Arimatéia;
Jesus e sua mãe;
Jesus e a Eira de Araúna (Monte do Templo);
Jesus e o Gólgota;
Jesus e a lavagem dos pés dos discípulos;
Jesus e a Via Dolorosa;
Jesus e Jerusalém;
Jesus e Pedro;
Jesus e a Santa Ceia;
Jesus e a queda dos soldados no Getsêmani;
Jesus e o galo cantador;
Jesus e as doze legiões (cerca de 82 mil) de anjos;
Jesus e o julgamento noturno ilegal;
Jesus e Judas;
Jesus e os guardas do sepulcro;
Jesus e Maria Madalena;
Jesus e João;
Jesus e os anjos na ressurreição;
Jesus e seus irmãos;
Jesus e o guarda esbofeteador;
Jesus e os sumos sacerdotes;
Jesus e Barrabás;
Jesus e os sacerdotes;
Jesus e Simão, o Cirineu;
Jesus e os soldados flageladores;
Jesus e o anjo consolador;
Jesus e Malco;
Jesus e o jumentinho (emprestado);
Jesus e o Templo;
Jesus e o proprietário do jumentinho;
Jesus e a meteorologia;
Jesus e o terremoto;
Jesus e os túmulos abertos;
Jesus e o jovem coberto com um lençol;
Jesus e os ressurretos;
Jesus e João Batista;
Jesus e o véu do templo;
Jesus e as falsas testemunhas de acusação;
Jesus e a figueira infrutífera;
Jesus e os anciãos dos judeus;
Jesus e as 30 moedas de prata;
Jesus e o carpinteiro da cruz;
Jesus e a coroa de espinhos;
Jesus e a lança que o traspassou;
Jesus e o homem com um cântaro de água;
Jesus e o frio do inverno;
Jesus e o dono do cenáculo;
Jesus e o Sinédrio;
Jesus e seu cansaço, desgaste e noite em claro - do Getsêmani à cruz;
Jesus e o Império Romano;
Jesus e os dois discípulos de Emaús;
Jesus e Tomé;
Jesus e o soldado que o traspassou;
Jesus e as profecias;
Jesus e os soldados que sortearam sua túnica;
Jesus e a Páscoa;
Jesus e suas vestes;
Jesus e o tecedor da coroa de espinhos
Jesus e a cruz;
Jesus e a sua sepultura (emprestada);
Jesus e o Pai;
Jesus e o Sermão Profético;
Jesus e os ramos;
Jesus e sua alimentação na prisão;
Jesus e o vinagre;
Jesus e o fel;
Jesus e o Espírito Santo;
Jesus e as pedras que clamariam;
Jesus e os barquinhos no Mar da Galiléia;
Jesus e a bacia com água e a toalha;
Jesus e as duas espadas;
Jesus e as Escrituras;
Jesus e Satanás;
Jesus e os demônios;
Jesus e o vaso de alabastro (doado);
Jesus e Lázaro;
Jesus e o sol, a lua e as estrelas.

Esses detalhes devidamente abordados numa reflexão, certamente contribuiriam para fornecer um conhecimento e entendimento mais amplos e profundos do maravilhoso ser e figura singular que é Jesus.

Atos graciosos da vida de Jesus são profusos. Na sua singularidade foi o motivo da libertação de Barrabás e da reconciliação entre Herodes e Pilatos (Lc 23.12). Tal evento revela um pouco da riqueza benevolente do amor, paz, poder, humildade, caráter e influência que irradiavam de Jesus.

Agora, a última semana da vida de Jesus na terra está chegando ao fim.

Tudo deverá contribuir plenamente para o perfeito desenrolar e desfecho do Plano de Deus, com vista à redenção da humanidade e a aniquilação da essência do mal. O que, de fato, aconteceu! Tudo, como estava previsto. Deus vela pela sua Palavra para a cumprir - Jr 1.12.

No contexto desses últimos acontecimentos, Satanás e seus anjos prosseguem arregimentando seus agentes para conseguirem de Jesus a desistência de sua missão salvadora.

A antiga serpente estava jogando suas cartadas finais. Não era seu objetivo contribuir para a morte de Jesus. O que ela desejava era infligir sofrimentos intensos em Jesus com o objetivo de fazê-lo desistir da cruz.

Satanás instiga seus asseclas a acenarem para o Nazareno com a liberdade e o alívio das dores lancinantes que ele poderia obter ao descer da cruz. Sua maior esperança, que alimentava seus esforços e ataques, era que Jesus renunciasse ao sofrimento - Mt 16.23.

Quando Satanás imaginava ter obtido êxito, garantida a vitória e que tudo parecia ter chegado ao fim para Jesus, ele se depara com o silêncio demolidor do Filho de Deus. De nada adiantou! Jesus tinha decidido se entregar como um cordeiro mudo! Deus estava agindo de forma plena dentro de seu Plano Eterno.

À essa altura, pode surgir uma pergunta: - "Por que, então, Satanás usou Herodes para perseguir Jesus e levá-lo à morte"? "O rei ordenou a execução de todas as crianças de dois anos para baixo, pensando que, dessa forma, apanharia Jesus".

De fato, a lógica maligna da realidade era a seguinte.

Eliminar Jesus ainda criança atenderia aos propósitos do inimigo porque, assim sendo, ele (Jesus) não se ofereceria a si mesmo para o sacrifício, visto que, como criança recém nascida, não era dotado de capacidade de decidir pela razão. Jesus não possuía, ainda, vontade própria nem consciência para se entregar voluntariamente. Dessa forma, seu sacrifício seria ineficaz, visto não ter valor legal. Deus é justo!

Alguém pode argumentar: - "Mas, era Jesus! Ele tinha poder para fazer isso"! A despeito da autenticidade dessa afirmação, a verdade dominante é: Não! Ele não podia! Lembre-se de que Jesus era um ser humano completo e, nessa condição, ele não podia fazer isso! Possuía limitações como qualquer humano.

Não é muito difícil imaginar um diálogo que o Pai poderia ter tido com o seu Filho Jesus, por ocasião de sua entrega total para a morte, a qual foi motivo de seu pedido por três vezes, e sua agonia no Jardim do Getsêmani: - "Pai, se possível, passe de mim este cálice"! - Mt 26.39-44.

Efetivamente, não havia um possível "plano b"! Uma segunda opção. Nenhuma alternativa! Deus não tinha como inventar qualquer coisa de forma legal e justa. Só havia esse caminho! 

É como se o Pai, respondendo, dissesse: - "Meu Filho, é impossível! A única maneira de aniquilar a essência do mal, redimir a humanidade e a natureza é entregar a sua vida! Você deverá fazer isso sozinho porque, se eu não abandoná-lo para esse ato, eu poupo a sua vida e a humanidade estará perdida para sempre".

E foi o que, realmente, ficou acordado e concluído no Getsêmani. Jesus confirmou a sua entrega ao Pai. Ele havia vindo para essa finalidade e esse momento.

Lembre-se de que, na verdade, quem está entregando Jesus à morte não é o diabo mas, o Pai e Ele (Jesus) mesmo! Ele disse: "... eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la..." - João 10.17-18.

Por isso, a luta de Satanás para fazer Jesus desistir do sofrimento e da cruz. Uma dessas ocasiões, por exemplo, foi bem clara! Pedro repreendendo Jesus para Ele não ir à cruz.

Atente para essa importante observação! Na tentação no deserto, o diabo não exigiu nenhum sacrifício de Jesus! Ao contrário; só acenou com facilidades! - Mt 4.1-10.

Guarde isso! A morte voluntária de Jesus na cruz era a derrota de Satanás. Por isso, o seu esforço para que Jesus não renunciasse a si mesmo nem se entregasse à morte.

Sem alternativas, ele se viu obrigado a prosseguir, oferecendo condições para o assassinato de Jesus, cujo crime lhe traria a derrota definitiva. Não deve ser esquecido que o Plano de Deus estava em curso (como ainda continua) e que o autor do pecado deveria provar o seu próprio veneno - Sl 7.16. Seria usado por Deus para promover a sua própria destruição, contribuindo efetivamente para a imolação do Cordeiro de Deus.

"Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste"? O Pai teve de desamparar o Filho, para que ele se entregasse completamente ao sacrifício. De outra forma, o Pai não o deixaria morrer. Mas, era necessário! Abraão entregou Isaque! Um ato profético! O Pai faria a mesma coisa!

Ao dar o brado "tudo está consumado" e expirar, Jesus conquista a vitória e toma de volta, legalmente, a chave das mãos do diabo. Isto é, Ele resgata o domínio legal e total do Criador sobre a raça humana e toda a sua criação, o qual Adão havia entregue a Satanás no Jardim do Éden - Cl 2.14-15.

Agora ele vai proclamar, de imediato, no mundo dos fisicamente mortos, a sua vitória plena e eficaz. Proclama que venceu e destruiu o diabo, que tinha o poder da morte e, consequentemente, possuía o domínio sobre a raça humana - Hb 2.14-15; Ap 1.18.

Levantai ó portas as vossas cabeças! Levantai-vos ó entradas eternas.... Sl 24.7-10.

Com essa atuação estupenda, magistral, única, colossal, singular e fenomenal, Jesus Cristo, sob os olhares de todo o multiverso animado e inanimado, conclui a parte do resgate da humanidade e de toda a criação para Deus, dentro de seu Plano Eterno.

Após essa proclamação portentosa, Satanás receberia o golpe fatal ao amanhecer do terceiro dia, quando Jesus foi poderosamente levantado do túmulo por Deus. Com a ressurreição, estava consumada e selada a sentença condenatória do diabo, que já havia sido decretada pelo Pai, o Deus Todo Poderoso, no seu Plano Eterno, bem como a anulação dos efeitos da morte, sua arma fatal, 

Tendo conquistado, literalmente, todas as coisas, Jesus agora vai reinar assim, conforme registrado em 1Co 15.24-27, até concluir a destruição final das consequências da essência do mal, provocadas pela sua disseminação através do pecado, com dois efeitos retroativos, definitivos e eternos:

Primeiro, a destituição da essência do mal e seu poder destruidor e mortal, juntamente com o seu agente, Satanás;
Segundo, o resgate da oportunidade para o ser humano se voltar para Deus.

Considerações finais.

Precisam ser consideradas três etapas na obra de Jesus, como Deus, que ele é; e como representante legítimo da raça humana, ser humano que ele é; com a condição singular de ser o único santíssimo e impecável:

Primeira - a submissão do Cordeiro: desde sua disposição em descer à terra, renunciando momentaneamente à sua glória, em rendição completa, absoluta, perfeita ao Pai e, sacrificialmente, ao ser humano, na vida, no jardim e na cruz - Jo 1.29; At 8.32; 1Co 5.7; Fp 2.5-11; 1Pe 1.19;

Segunda - a missão e vitória do Cordeiro: conquistada e conseguida como resultado de sua entrega total, suplício, morte e ressurreição - Ap 5.6-14; e,

Terceira - a ira do Cordeiro: quando descer novamente à terra pessoalmente para destruir, literalmente, o domínio de Satanás, de seus agentes e reinos humanos perversos que, atualmente, ainda exercem sobre a humanidade dominada e cativa - Ap 6.16; 14.9-11; 17.14; 19.11-21.

Qual é o resultado, objetivo, consequência última do mal? É a morte, aniquilação, eliminação de toda a criação de Deus. Por isso, Jesus está reinando até que o Pai coloque debaixo dos pés dele todos os seus inimigos - 1Co 15.24-28.

Se Satanás usou a humanidade de Adão para disseminar o mal através do pecado, Jesus se humanizou para, através de seu corpo, destruir a raiz do mal, alimentadora do pecado.

Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, primeiro destruiu o diabo que tinha o poder da morte - Hb 2.14-15.

Finalmente, com a destruição da própria morte (1Co 15.26), Jesus, o Cordeiro de Deus, dará conclusão para a eternidade infinita, do extraordinário, secreto (talvez por isso, inúmeras vezes incompreendido), ignorado, profundo e extensivo PLANO ETERNO DE DEUS.

Glória, pois, ao Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, pelos séculos dos séculos!

* Valnice Milhomens (Aliança de Sangue).


Foto: Panoramio.com

7 de junho de 2014

A Formação de Adão

Ézio Pereira da Silva
                                       

                                                                               Gênesis 2.7

"Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente".

Como Deus criou o corpo de Adão?
Uma concepção bem generalizada e difundida no meio cristão, mesmo entre alguns estudiosos da Bíblia, é que, para criar Adão, Deus fez um boneco de barro, uma estátua de argila, e soprou sobre ela a vida.

Então, como Deus formou o homem? Como Ele criou o corpo de Adão? Ajoelhou-se no chão, pegou terra e água, misturou, fez um pouco de barro, lama ou argila, formou um boneco - como se fazem bonecos de areia nas praias - e soprou sobre ele o fôlego de vida? Isso não parece muito infantil?

O termo "pó", utilizado na Bíblia, pode ser traduzido por "minério". Minério é mineral. Este é definido em dicionário como: substância natural, sólida ou líquida, de composição química bem definida e propriedades físicas características.

De maneira que o termo bíblico "pó da terra", em uma consideração simples, significa o conjunto ou a totalidade de todos os elementos químicos que constituem o planeta terra com tudo o que nela há, desde o núcleo interno até a sua crosta.

Deus já havia criado tudo quando formou Adão. Atente para o fato de que Ele, Deus, formou Adão dos elementos da natureza que havia criado previamente.

Quando Deus criou Adão, Ele formou o seu corpo físico com os elementos químicos da natureza. Isto é, deu forma a um corpo como Ele projetou. Deus não fez, por assim dizer, um boneco de barro.

Ele fez o seu corpo tal como o conhecemos, como se estivéssemos observando um corpo humano, natural e inerte, da mesma forma e aparência como se vê hoje. Com cabelos, unhas, globo ocular, massa encefálica, lágrimas, saliva, pele, sangue, muco nasal, ossos, coração, rins, fígado, unhas, pâncreas, duodeno, etc.

Ou seja, Deus tomou átomos (prótons, elétrons, neutrons) nas porcentagens ideais de elementos químicos da natureza, tais como sílica, alumina, ferro, cálcio, magnésio, sódio, potássio, carbono, titânio, fósforo, hidrogênio, oxigênio, etc., formou as moléculas necessárias e adequadas, juntou-as e construiu o corpo humano. Fez o corpo do ser humano de carne, pelos, ossos, cartilagem, pele e sangue. Todos os órgãos foram compostos com os elementos químicos da natureza.

Sabemos, a grosso modo, que mais de 75% do corpo humano é composto de água; ou seja, de átomos de Hidrogênio e Oxigênio. Esses elementos químicos, juntamente com, pelo menos, outros 19 (já vi uma lista com 60 elementos), constituem, compõem o corpo humano.

A palavra "formou", no texto bíblico, tem, entre outros, os seguintes significados ou sinônimos:
1.  dar origem a; fazer existir.
2.  dar forma a; conferir um feitio ou uma configuração a.
3.  conceber; imaginar.
4.  constituir; produzir.
5.  organizar; dispor numa dada ordem.
6.  fundar; criar.
7.  transmitir conhecimentos que permitem exercer uma dada atividade; instruir.
8.  estabelecer; fixar.
9.  descrever; traçar.
Tudo isso representa um pouco do que Deus fez.

Lembre-se: Deus é O Autor, Originador e Criador da ciência de tudo, de todas as ciências, inclusive os ramos Química, Física e Biologia. Será que Ele saberia lidar com esses elementos materiais para formar e fazer o que quisesse para atender seus propósitos?

Ele formou, ou construiu o corpo humano, tal como ele é hoje. Com a mesma aparência. Só que sem vida, sem respiração. Isso mesmo! Dessa forma!Nada de evolução, nem ascendência, nem tampouco o ser humano é descendente de qualquer ancestral primata.

Deus, o Criador, para formar o corpo físico completo de Adão, construiu todos os sistemas necessários ao seu funcionamento normal, tais como o sistema nervoso, o circulatório, o digestivo, o urinário, o muscular, o reprodutor, o ósseo, o respiratório, etc.

Ato contínuo, soprou nele o fôlego de vida. Isto é, colocou nele o espírito humano e a sede das emoções, dos pensamentos e da vontade; ou seja, a sua alma.

De maneira simplificada mas verdadeira, isso é o que significa ter o Senhor Deus formado do pó da terra o homem que Ele criou.

Imagem: cicascience.blogspot.com.br