16 de fevereiro de 2009

O Espírito da Lei

Ézio Pereira da Silva

Quanto mais conhecemos uma pessoa e com ela convivemos, tanto mais descobrimos as suas imperfeições, seus erros e suas falhas.

No entanto, no lugar de ser um motivo de tropeço, fofocas, maledicências e murmurações e para denegrir a imagem de alguém, esse conhecimento é uma excelente oportunidade, não para condenarmos nem julgarmos a pessoa, mas para ajudá-la a ver a si própria, a ser perfeita e para exercermos a prática do perdão.

“Olho por olho; dente por dente”. Esta era a lei de Moisés. A Lei de Talião. Essa lei não era essencialmente uma lei de vingança, como muitos erroneamente pensam. Era uma lei de misericórdia e de amor. Ela foi outorgada para que não houvesse ofensa entre os indivíduos, nem a prevalência do mais forte sobre o mais fraco pois, ela castigaria o ofensor se ele ofendesse voluntariamente a outrem.

O espírito dessa lei mostra que ela foi estabelecida para proteger o ofendido e punir o agressor. E não somente isso, mas, também, para regulamentar a pena a ser aplicada ao ofensor, a fim de que o castigo não ultrapassasse a ofensa praticada. Isto queria dizer que o castigo não poderia ser maior que a ofensa. Com isso, a lei mostrava, pela sua justeza, sua origem divina.

Uma pena de 40 açoites havia sido determinada, em Israel, para alguns pecados. Mas, houve uma época na história daquela nação em que, com aquele receio em mente, era razão suficiente para que os judeus aplicassem a quantidade de açoites, conforme determinava a lei, diminuído porém de um. Não ultrapassavam o limite de 39 açoites, para não incorrerem em excesso de castigo, pois estava bem vívido ainda em seus pensamentos o caráter de Deus, oposto à injustiça e à violência.

Deus não utilizou suas prerrogativas de Juiz nem fez caso de nossas ofensas. Ou seja, não nos castigou segundo o que as nossas ofensas mereciam, nem tampouco deixou de dar-nos o perdão. Pelo contrário, em Cristo Jesus, ele nos perdoou totalmente e deu seu exemplo, a fim de que nós, também, perdoássemos aqueles que nos ofendem. O perdão tem o significado e a ação de misericórdia.
Alguém disse que, muitas vezes as pessoas não estão necessitadas do julgamento, mas do nosso perdão. Elas já se encontram feridas, machucadas, aflitas e quebrantadas. Nessas condições, precisam de compreensão, do consolo, do apoio e do perdão. Ninguém tem maior motivo do que Deus para nos reprovar e condenar. No entanto, ele não nos reprimiu nem nos repulsou de sua presença, mas ofereceu-nos perdão e ajuda. O perdão não cabe ou não tem sentido onde não há ofensa. O perdão existe para isso: perdoar. Perdoemos, então! Esse é o espírito da lei.