9 de fevereiro de 2009

A JUSTIÇA DE DEUS, O PECADO E O PECADOR

Ézio Pereira da Silva

Existem determinadas ocasiões e circunstâncias em que o pecado nos parece mais brando e inofensivo. Quando isso ocorre é porque o amenizamos, mas ele em si é perverso e vem para provocar a morte em toda a sua plenitude. O pecado só é considerado de forma superficial sob nosso ponto de vista, tolerante e abrandado por nós mesmos. Deus, no entanto, sabedor de todas as suas conseqüências, o trata de forma correta. Judá e Jerusalém eram contumazes e constantes na prática da idolatria e estavam por ele empedernidos.

O clamor intercessório do profeta Habacuque, em favor de seu povo, tinha a ver com a sentença que ele ouvira de Deus a respeito de Judá e Jerusalém, exatamente por causa da obstinação desse reino em permanecer nos seus pecados.

Habacuque não tinha idéia da dimensão do pecado de Judá para entrar com a sua intercessão. Deus sabia qual era o único remédio para aquele povo pecador. E, se ele queria libertá-lo, precisava agir como havia determinado.

Compreendendo então, pelo menos em parte, a solução que haveria de ser dada por Deus e, sabedor que ele não voltaria atrás na sua decisão, mas agiria com amor porém com justiça, foi que Habacuque se interpôs com seu pedido "... na sua ira lembra-te da misericórdia" (Hc 3.2).

O apóstolo Paulo, da mesma forma, compreendeu que, apesar de longânimo e misericordioso, Deus não deixa de exercer o devido e justo juízo sobre o pecado, não sem antes dar oportunidade de arrependimento muito mais que suficiente para livrar o pecador da ira futura quando afirmou "... Deus... suportou com muita longanimidade os vasos da ira..." (Rm 9.22).

Nunca podemos nos esquecer que o pecado gera a morte. A morte é filha dele. O pecado é o pai da morte. O salário ou recompensa pelo pecado é a morte. Se pensarmos assim, de forma correta, jamais vamos achar que Deus foi demasiadamente duro ou severo demais.

Quando Deus, aparentemente, não pune o pecado, ele está agindo com sua misericórdia com a pessoa, mas já o exigiu de Jesus. As conseqüências dele, no entanto, logo vêm, porque, se não for extirpado, ele vai espalhando a morte entre outros que não possuem culpa inicial, mas podem ser contaminados. Deus, então, trata com ele eliminando-o, se necessário, juntamente com o seu agente propagador, caso este continue sendo obstinadamente sua causa propulsora, servindo de agente para a sua manifestação e crescimento.

Veja o caso de Acã (Js 7.10-26). O povo perecia por causa de um só homem.

Quando anunciou o pecado de Acã, Deus foi longânimo e deu tempo para Acã se arrepender, cobrando-o só no dia seguinte. Nesse intervalo, Acã não poderia ter se arrependido e confessado? Se o pecado estava produzindo a morte de muitos e aquele que o impulsionava continuava vivo sem nenhum pesar, Deus viu que o mal deveria ser extirpado pela raiz, juntamente com aquele que o alimentava.

Deus é magnânimo com o pecador mas não é tolerante com o pecado. Ele apenas aguarda o dia final, acumulando sua ira e vingança para aquele tempo. O que ocorre hoje, com relação a punição e castigo, é apenas o juízo temporário. O pecado nunca fica sem ser cobrado. Nunca nos enganemos a esse respeito, pensando que Deus é conivente com o pecado. Deus é santo. Não podemos deturpar o seu caráter.

Alguém peca, é persuadido, se arrepende, confessa, pede perdão e é perdoado. Quando isso acontece, todos esses passos dados e seus respectivos efeitos têm origem em Deus. Ele mesmo, por sua misericórdia e amor, é quem traz a convicção, o arrependimento, estimula a confissão, o pedido de perdão e perdoa. Tudo é ato de seu amor.

Mas note! Para conceder o perdão, ele tem misericórdia é do pecador e não do pecado. Quando ele perdoa, o beneficiado é o pecador, mas o pecado é cobrado em Jesus. O pecado então, não produz os seus efeitos eternos no pecador, no que se refere à vida eterna. No entanto, o pecado em si é punido e destruído em Jesus, no seu sacrifício. O pecado não fica esquecido e impune.

Quando Deus não perdoa, é porque o pecador, o transgressor não lhe deu condições para perdoar. A medida da pessoa já transbordou e ela não consegue mais responder positivamente ao apelo de Deus. Pisa o sangue do Senhor Jesus. A pessoa não consegue mais ser renovada para arrependimento (Hb 6.4-8). A medida da iniqüidade enche (Gn 15.16). Deus, quando trata o pecado, quer eliminar toda memória dele.

Finalmente, depois dessas considerações, cabe, ainda, uma última com relação à justiça de Deus.

Donald C. Stamps disse que o Antigo Testamento enfatiza a morte física como conseqüência do pecado, mas não define claramente a respeito do juízo eterno e definitivo dos indivíduos (Js 7.25 - Bíblia Pentecostal - Nota).