13 de abril de 2016

A Intrigante e Necessária Queda de Lúcifer e da Raça Humana - O Inimaginável Propósito - Segunda Parte

Ézio Pereira da Silva



ORA, o pecado não agiu sozinho, porque ele não é um ser possuidor de vontade própria! O pecado consumado é um estado de alma; uma intenção concretizada e manifestada pela ação. É uma ação originada e gerada por uma intenção. 

Na melhor das hipóteses, o pecado pode ser involuntário mas, nunca algo que tivesse, em si mesmo, o poder de dominar a raça humana. O pecado só atuou por determinação divina ou sua permissão. Isso é inquestionável!

Para que o pecado pudesse chegar ao ser humano, havia a necessidade da determinação ou permissão de Deus. De outra forma, seriam invalidadas algumas características, ou atributos, essenciais e próprias da sua pessoa. 

Nesse caso, Deus não seria Deus! Porém Ele, de fato, é o Eterno e Todo Poderoso Deus.

Como poderia Ele mesmo praticar ou permitir que se praticasse qualquer ato que representasse o mal e prejudicasse a raça humana, sem que houvesse extrema necessidade para isso?

Observação: Essa verdade não se aplica a Lúcifer, tendo em vista que, no seu caso, Deus o criou exatamente com essa finalidade e propósito. Ou seja, para ser o principal agente, representante e disseminador do mal - ver Provérbios 16.4.

Sendo assim, caso seja estranho para nós, e de difícil assimilação, absorver a realidade da existência desse plano da parte de Deus, é necessário entender que a questão não diz respeito a Deus mas, a nós! O problema está em aceitarmos que Ele tenha decretado esse plano e não em Deus de lidar com ele e através dele.

Considerando esses atributos, perfeições e características da pessoa de Deus, e com esses argumentos, é que devemos aguardar, com paciência, o cumprimento de tudo o que estiver nos seus desígnios com esse grandioso e magnífico propósito.

Com essas considerações em evidência, atentemos para algumas premissas:

1) Nada do que defendo nesta tese dá permissão, liberdade nem imunidade, tampouco faz vista grossa para a prática de qualquer tipo de pecado. A presente proposição não outorga licença para a permissividade. Não é um salvo-conduto para o erro. Muito menos coloca sobre Deus, o Criador, a responsabilidade pela existência e para a prática do pecado.

Mesmo diante de todo o conteúdo desse projeto de Deus, não há, de maneira nenhuma, nem um determinismo, nenhuma autorização, concordância ou favorecimento para o pecado.

Antes de tudo, deve ficar bastante claro e entendido que, o fato de estar no propósito de Deus que o pecado entrasse no mundo, não significa, não apoia, nem é um passaporte ou desculpa para a prática do pecado.

Ninguém pode, sinceramente, se valer do que defendo aqui para pecar e, depois, se justificar dizendo: "já que o pecado, necessariamente, deveria entrar no mundo, esse fato me isenta de ser culpado por ele, porque não poderia lutar contra isso. Essa condição me foi imposta, ainda na eternidade".

Esse pensamento não é honesto, nem devota a Deus temor, nem respeito nem honra. Parte de uma premissa falsa e denota uma mente leviana, que deseja viver na prática do pecado.

2) O ser humano é o único responsável pelos seus atos. Todo indivíduo responde diretamente a Deus pelos seus pecados. "Cada um dará contas de si mesmo a Deus" - Rm 14.12.

Todas as pessoas devem estar cientes de que "... O salário do pecado é a morte" - Rm 6.23.
Nada justifica o pecado e livra o ser humano de suas consequências. O único e exclusivo meio para o perdão, a justificação e a purificação dos pecados, com vista à salvação e a vida eterna, é o arrependimento e a fé em Jesus Cristo e seu sangue purificador.

A idealização, estabelecimento e execução desse plano de Deus jamais foi ou será desculpa ou licença para o cometimento de pecados.

A prova dessa verdade é que existem aqueles que desejam viver uma vida sem pecado, não usam desse artifício e só pecam devido às fraquezas e limitações de sua natureza pecaminosa. No entanto, não possuem, de fato, nenhum prazer no erro. Eles seguem os caminhos designados pelo Senhor!

3) Qualquer consideração desfavorável a essa compreensão, ou entendimento diferente desse, deve ser debitado a uma interpretação errônea e distorcida do que vou dizer. Que tudo isso fique bem e plenamente compreendido.

Tendo esclarecido essas observações, com esse entendimento e compreensão vamos às considerações que envolvem tão importante assunto e que, para muitos, pode ser ainda um mistério de Deus.


CONJECTURAS

Algumas questões extremamente inquietantes, com relação ao pecado na história da humanidade, inundam a cabeça de muitas pessoas, e se tornam um mistério incompreensível, insolúvel e difícil de decifrar, deixando-as perplexas.

Diante dessa realidade sobre a pessoa de Deus, dois pontos precisam ser considerados:

Primeiro, eu sei a resposta exata, simples, correta e perfeita para essa questão: Existe um plano divino. Este é um ponto que não comporta questionamento, se este for, pelo menos, razoável, sério, honesto e sadio.

Segundo, eu não sei a razão, o propósito, os detalhes, o conteúdo e a finalidade desse plano! Apenas, sou forçado a admitir a sua existência. 

No máximo, possuo algumas conjecturas.

Uma delas poderia ser que, através do pecado (que é a manifestação ou concretização do mal) na raça humana, Deus se utilizasse dele para destruir eternamente aquilo que eu costumo chamar de: o princípio ou a essência do mal no universo infinito.

Lembrando que, o pecado consumado (ou seja, praticado por pensamento, palavra, ação, intenção, atitude, gesto, olhar, etc), é a manifestação, a concretização, a própria materialização do mal.

Isso seria a resposta para questões, por exemplo, do sofrimento? Deus estaria usando o sofrimento, principalmente de seus filhos, como arma letal para a destruição completa, total e definitiva deste princípio ou essência do mal?

Será que, com esse propósito, Deus não estaria levando a essência do mal reinante no universo à destruição definitiva e o estabelecimento do bem? Quem sabe?

A única certeza claramente compreensível é esta: Existe um plano, cujo caráter e propósito é apenas razoavelmente percebido, não mais que isso, em função do que conhecemos de Deus e do que a Bíblia nos revela a seu respeito.

Vendo a questão de certa perspectiva, esse entendimento é simples. Não é algo inatingível. Pode ser considerado, até mesmo, como um raciocínio lógico dedutivo.

Deus idealizou um projeto, estabeleceu um decreto e colocou em ação, desde a eternidade passada, um plano; uma obra inaudita, tremenda e jamais vista, sabida ou ouvida em tempos imemoriais. 

Ela continua em execução em, pelo menos, uma parte do universo infinito, visível e invisível, tanto o natural quanto o sobrenatural, neste exato momento e época na história em que vivemos.

Nesse plano foram incluídas as necessárias quedas de Lúcifer e da raça humana. Deus determinou, por um ato soberano seu e somente seu, que assim fosse.

Imensurável, indescritível e extraordinário benefício para a eternidade futura, esse desígnio de Deus impactará, determinando e definindo o destino e a existência do conjunto de todas as coisas no universo infinito, centralizando-as na Pessoa e na autoridade de Jesus Cristo.

Mesmo não o conhecendo na sua essência, é razoável imaginar que esse plano de Deus possa, em seu raio de ação ou área de influência, contemplar várias ações e cumprir algumas promessas feitas pelo Senhor Deus, desde épocas remotas até aos dias apostólicos, já na era da Igreja.

Assim pensando, é possível que pode haver a possibilidade de que esse plano envolva:

a) métodos de execução e tipos de procedimentos que visam, em todos os aspectos, o estabelecimento definitivo do bem, em substituição do mal;

b) decisões e fatos ocorridos no passado, como a vinda de Jesus à terra para dar a oportunidade do homem ser salvo e todos os desdobramentos dessa decisão divina;

c) o julgamento de Lúcifer (Satanás), sua condenação, sentença final e arremesso na posse no seu destino eterno;

d) acontecimentos presentes e futuros, tais como, a vitória dos cristãos sobre o pecado e a morte eterna;

e) destruição da essência do mal;

f) redenção do planeta Terra e toda a sua natureza, fauna, flora, atmosfera (todo o ecossistema atual);

g) a inauguração do estado eterno da paz, amor e harmonia entre todas as criaturas de Deus;

h) a destruição da força do pecado sobre os seres humanos e angelicais;

i) o reconhecimento em todo o universo eterno, visível e invisível, da pessoa de Jesus Cristo como o Senhor absoluto do universo físico e espiritual; natural e sobrenatural;

j) o estabelecimento do amor de Deus como a força superior que dominará e reinará em toda a criação de Deus pela eternidade sem fim ...

Revelado ou não, esse plano que Deus tem em sua mente e que presentemente se encontra em execução, conforme disse um pouco acima, se revela extremamente gigantesco, incrivelmente fenomenal e infinitamente estupendo.

Imaginar Deus lançando mão de coisas grandiosas entre os homens e de criaturas gigantescas e fenomenais (anjos, seres espirituais poderosos, etc), visíveis  e invisíveis  para realizar e cumprir esse plano, com toda a certeza, é extraordinariamente magnífico!


INTERROGAÇÕES AUXILIARES

Oportuno e relevante nesse ponto, seria suscitar, com perspectiva conclusiva, certas indagações que poderão auxiliar numa melhor compreensão.

Se Deus é:
Onipotente, isto é, Todo-Poderoso;
Onisciente, isto é, conhecedor de todas as coisas, nos tempos passado, presente e futuro;
Perfeitamente e plenamente bondoso, benigno, justo e amoroso, por que permitiu (e é certo que permitiu, caso contrário, não teria acontecido) Adão pecar, tendo como consequência natural, o pecado tomando de assalto a raça humana e colocando-a debaixo de seu domínio?

Ele não sabia? 
Ele sabia mas, não tinha poder para impedir?
Foi Ele pego de surpresa e teve seus planos frustrados a respeito do ser humano?
Ele sabia mas, não amava a raça humana a ponto de não permitir sua queda?
Por que não impediu que Satanás enganasse a Eva?
Por que Ele permite o pecado, o mal e todo esse sofrimento cruel durar tanto tempo, inclusive com reflexos na natureza física e nos animais?

Por ser Ele tudo o que foi dito acima e muito mais, conhecedor de tudo antecipadamente e baseado no que Ele é e faz, há apenas um motivo, nenhum outro, para Deus ter criado o ser humano tão fraco como o criou e sujeito a pecar: um plano eterno, por Ele decretado, para cumprir seus propósitos eternos.

Com essas características da pessoa de Deus e as considerações mencionadas, é que devemos aguardar, com paciência, tudo o que, na sua soberania, estiver dentro de seus planos, com esse propósito grandioso.

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Continua.  Aguarde a Terceira Parte!