15 de abril de 2015

O Verdadeiro Deus

B








Ézio Pereira da Silva

Você conhece a DEUS?


"... Que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro..." - João 17.3.


Com essa simples pergunta, nem estou me referindo, ainda, ao necessário e imprescindível conhecimento experimental, pessoal, real, que precisamos ter de Deus, mas simplesmente, meramente, tão somente ao conhecimento escriturístico; do texto da Bíblia Sagrada.

Isto é, você conhece a Deus, pelo menos conforme a Bíblia o apresenta?
 

Precisamos conhecer e considerar algumas premissas essenciais a respeito do conhecimento de Deus, conforme as Sagradas Escrituras o revelam.

Se não as conhecermos, não as entendermos, não crermos nelas, e não aceitarmos Deus como, realmente, Ele é revelado e apresentado nas Escrituras Sagradas, estaremos sujeitos a muitas dificuldades na compreensão e entendimento da sua Palavra, dos seus propósitos, dos seus caminhos, dos seus decretos, das suas determinações, da sua santidade, do seu amor, da sua graça, da sua misericórdia, do seu perdão, sabedoria, bondade, fidelidade, justiça, benignidade, da sua presciência, do seu poder, onisciência, onipresença, onipotência, da sua soberania..., e, finalmente, seremos fadados ao insucesso, fracassos e distorções na interpretação da Bíblia e, consequentemente, no seu ensino e apresentação, além de potenciais autores e fabricantes das mais diversas, estranhas, equivocadas, enganosas e nocivas heresias.

Com isso em perspectiva, apresento, a seguir, algumas considerações básicas necessárias a um conhecimento mínimo e elementar de Deus, mostrando um pouco do que Ele é e o que precisamos saber a seu respeito. Ou seja, como devemos conhecê-Lo.

Eis algumas premissas fundamentais:

1) Deus é Onipotente, Todo-Poderoso, mesmo!!! Com todas as letras e todo o entendimento. Isto é, com exceção do pecado (porque é impossível que Deus peque), Ele pode, realmente, TODAS AS COISAS. Ele é, na expressão mais exata, profunda e abrangente da palavra, o Deus Todo-Poderoso, mesmo. O único Soberano e Senhor dos mundos ou universos visíveis e invisíveis; sobre todas as coisas animadas e inanimadas; seres viventes espirituais e naturais, poderes, principados, potestades, áreas de conhecimento, do passado, presente e futura, das coisas que já existiram e não existem mais; das coisas que existem agora e das coisas que vierem a existir no futuro próximo ou distante, etc. Detentor e autoridade máxima e a última palavra sobre todas as coisas.
Ele é autossuficiente em tudo e jamais teve, tem ou terá necessidade de alguma coisa.
Ele é o Senhor total e absoluto de todas as verdadeiras ciências e de todo o curso da pré-história, da história presente e da futura e vindoura pós-história. Filosofando ou não, ELE É!

2) Deus é Onisciente, mesmo!!! Isto é, Ele sabe, realmente, da forma infinitamente mais profunda, abrangente e plena, de todas as coisas, sem nenhuma exceção.
Só Ele possui o único e infinito conhecimento de tudo que existe e do que não existe ainda e de qualquer outra coisa ou ser que tiver ou não a possibilidade de existir.
Nisso naturalmente está inclusa a sua presciência. Ou seja, Ele, e somente Ele, é presciente; sabe de todas as coisas passadas, presente e futuras. Todas elas juntas e por antecipação. Sabe de todas as coisas antes que elas aconteçam e não se limita ao tempo cronológico.

3) Deus é Onipresente, mesmo!!! Isto é, Ele está em plenitude (enche tudo, se Ele quiser, de acordo com a sua vontade perfeita e soberania) em todos os lugares dos inúmeros universos visíveis e invisíveis. Nada há nesse (ou em qualquer outro) aspecto de sua perfeição, que possa conduzir ou induzir a alguma ideia, forma ou expressão de panteísmo. Estando descartada toda sugestão a esse respeito.

4) Ele é TODO amoroso e misericordioso, mesmo!!!

5) Ele é TOTALMENTE justo, mesmo!!!

6) Ele é INFINITAMENTE santo e sábio, mesmo!!!

7) Ele é ABSOLUTAMENTE perfeito, mesmo!!!

8) Ele não faz nem fala absolutamente nada em vão, nem à toa, nem sem razão, nem sem sentido, nem sem propósito, nem tolamente, nem sem sabedoria, nem injusto, nem falso, nem hipócrita, nem mentiroso, nem enganador, nem ingênuo, nem sem conhecimento profundo e total, nem inconsequente, nem enganado ou enganador, nem inadequado, nem irrelevante, nem equivocado, nem presunçoso, nem arrogante, nem egoísta, nem irracional, nem incompleto, nem sem autoridade absoluta, nem fora do tempo ou fora de hora, nem fingido, nem desamoroso, nem egoísta, nem errado, nem imperfeito, nem irracional, nem rancoroso, nem imperfeito, nem pelas metades ou incompleto.

9) Ele soberanamente pode, se quiser, exercer a sua vontade perfeita em todas as coisas ou pode, soberanamente, decidir por usar ou não a sua vontade permissiva em e para qualquer coisa e para a finalidade que desejar. Isso inclui o que está escrito na Bíblia ou que está fora dela. Isto é, o que ela não menciona ou naquilo em que ela é silenciosa, segundo o entendimento meramente humano ou intelectual.

10) Ele nunca foi, não é nem jamais pode ser frustrado em todos os seus planos, propósitos ou determinações, nem ser surpreendido, mesmo que possa parecer que sim. Ele não age de improviso nem emendando ou remendando coisas ou realidades. Ele tem traçado e esquematizado todos os seus alvos, seus planos e projetos, para tempos predeterminados e promulgado seus decretos desde a eternidade passada; desde tempos imemoriais, tudo perfeita e sabiamente concebido, planejado e determinado.

11) Ele nunca se enganou, jamais se engana ou se enganará a respeito de nenhuma e qualquer coisa.

12) Ele nunca se arrependeu, se arrepende ou se arrependerá de nada. Ele não precisa disso; nunca fez nem faz uso disso em nenhum momento da história. Isso não tem cabimento em seu caráter perfeito. Ele nunca faz nada que possa necessitar, provocar ou exigir seu "arrependimento".
Obs.: palavras a respeito de Deus nesse sentido são próprias e afetas aos seres humanos, tendo sido traduzidas para a Língua Portuguesa inadequadamente.

Precisamos conhecer a Deus, pelo menos como Ele se revelou e se revela ao ser humano na Bíblia, na natureza e nos relacionamentos entre os seres viventes espirituais, humanos ou animais irracionais. É lógico que, talvez, possa ser que não cheguemos a conhecê-Lo na sua plenitude; isto é, naquilo em que Ele ainda não quis se revelar pelas razões que só Ele pode dizer, mas podemos conhecê-Lo naquilo que Ele desejou e, de fato, se manifestou a nós.

Deus é perfeitamente, profundamente e totalmente justo, santo e amoroso em tudo que pensa, julga, fala, ensina, faz e ordena.

Toda interpretação da Bíblia que não tem essas premissas como fundamento e ponto de partida é falaciosa, tendenciosa, orgulhosa, independente de Deus, presunçosa, falsa e não possui nenhum valor.

Deus é imutável! Ele nunca muda! Ninguém nem nada consegue melhorar ou piorar Deus. Isso é impossível! Deus é intocável e inatingível na sua santidade e perfeição.

Deus não precisa de nada! Ninguém consegue dar nada para ele. Ele é plenamente autossuficiente! Ninguém nem nada consegue fazer-lhe bem ou mal; nem influenciá-lo para o bem ou para o mal.
 

Todas essas coisas que foram ditas não são um simulacro utópico nem ideal de Deus. É a sua imagem real e revelada na Bíblia.

O que estou dizendo não é nenhum mistério, senão apenas o que está expresso na sua Palavra.

Somente com essas premissas podemos começar a analisar, interpretar, entender e ensinar corretamente a Bíblia Sagrada. Só poderemos obter algum êxito na sua interpretação se, de fato, conhecermos a Deus, pelo menos, dessa forma; com essas singulares características de Sua Pessoa.

Aliás, não temos nenhuma condição de interpretar corretamente a Bíblia sem atender essas condições básicas e mínimas. Sem esse conhecimento preliminar, todo princípio de interpretação da Bíblia será presunçoso e estrábico já no seu nascedouro.

Baseados nessas facetas de suas perfeições, podemos evitar e, de fato, escaparemos de muitos erros, incompreensões e injustiças que cometemos, imperceptivelmente ou não, preconceituosamente ou não, na tentativa de uma interpretação correta e salutar da Bíblia.

É impossível interpretar corretamente a Bíblia Sagrada sem conhecer de forma correta o Deus da Bíblia. O Deus que, em última análise, a inspirou e escreveu.

Sua mente infinita e perscrutadora conhece ampla, profunda e perfeitamente todas as coisas em todas as suas dimensões, possibilidades e impossibilidades.

Tão somente a partir desse patamar, dessa base e com esse entendimento, concordância e aceitação, é que toda a interpretação da Bíblia pode ser corretamente estabelecida e levada a efeito.


*Algumas referências bíblicas complementares e auxiliares, relacionadas ao tema:
Pv 2.5; Os 4.1; 6.6; Rm 1.21, 28; 11.33; 1 Co 15.34;
2 Co. 2.14; 4.6; 10.5; Ef 1.17; Cl 1.10; 2 Pe 1.2.